Revista Circo no. 1 Quadrinhos da Babilônia com Alcy, Glauco, Laerte, Luiz Gê e o melhor do quadrinho internacional

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A revista Circo só cheguei a conhecer no número 6, lançada em outubro de 1987, e na época acabei comprando mais pelo impulso pois estava viciado em quadrinhos, e já tinha lido e comprado de tudo e se bem me lembro na banca só tinha aquela edição sobrando. Pela graça do destino comprei, me apaixonei e foi então que comecei a correr atrás das primeiras edições para completar a minha coleção.

Mas como não tinha acesso a nenhuma banca mais especializada, o único caminho era tentar na base da sorte e fuçando em algumas bancas que vendiam revistas usadas, e em cerca de um ano, completei a minha coleção de Circo.

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Com a proposta de publicar quadrinho de humor nas livrarias, a Circo Editorial do Toninho Mendes surge trazendo autores como Luiz Gê, Angeli, Laerte, Ciça, Glauco, Paulo e Chico Caruso como seu time principal.

Na esteira do “sucesso” da revista Chiclete com Banana, a Circo Editorial se arrisca então com uma proposta ousada: surge a revista Circo, como coletânea para o bom material europeu que continuava inédito por aqui e a abertura para o bom quadrinho nacional que não tinha espaço para publicação regular em bancas.

A revista Circo sobreviveu por corajosos 8 números, com periodicidade bimestral, teve uma edição especial e uma outra edição em formato poster, ambos com quadrinhos do Laerte.

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Um grande artista nacional que foi publicado na revista Circo foi o Luiz Gê, que era o editor da revista e sempre me perguntei porque será que depois desta época ele sumiu do mercado de quadrinhos nacional, só publicando esporadicamente uma coisa e outra.

Luiz Gê era um artista completo: suas histórias tinham argumento, seus diálogos eram bem construídos, havia sempre um bom enredo e seus desenhos passavam profundidade, beleza e sabiam explorar muito bem a textura gráfica. Talvez pela sua formação em arquitetura, desenvolveu um outro olhar na forma de construir uma página de quadrinhos, e realmente se destacava dos demais autores na revista Circo.

Virei e sou um fã de seu trabalho até hoje: não me desfiz da minha coleção da revista Circo justamente pelo seu quadrinho. Uma pena que hoje em dia muito pouco se vê de seu trabalho. Mas na internet a gente fuçando acha coisa muito bacana e compartilho um link sobre seu álbum Avenida Paulista, que ainda não adquiri mas está na minha lista de compras até o final do ano.

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A revista Circo procurou em cada número explorar uma temática: neste número 1 encontramos o tema urbano, as cidades e suas paisagens de concreto. A segunda página conta com um detalhe de um quadrinho, mas sem referência sobre o autor, e a primeira história da revista por Luiz Gê funciona como um editorial da proposta da revista:

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Um detalhe da arte do Luiz Gê: “Ah, que interessante! É sempre animado assim?

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Na página 7 finalmente encontramos o índice da edição:

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Um detalhe dos créditos da revista e da data de sua publicação:

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Agora é a vez do Laerte com os seus Piratas do Tietê. Entre cada história encontramos um detalhe de uma paisagem urbana.

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E um detalhe da arte do Laerte:

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Agora vem uma atração internacional: Torpedo 1936 com “Tempos Difíceis” por Abuli e Bernet. Este personagem surge pela Circo, mas depois reaparece na revista Animal e tem alguns de seus álbuns publicados pela L&PM editores.

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Um detalhe de Torpedo:

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Agora vem o Geraldão pelo Glauco.

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Um detalhe hilário da arte do Glauco:

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Agora tem a participação de outro autor nacional: Alcy.

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Na página central um poster com a continuação da história do Alcy:

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Depois uma história meio regular de dois artistas europeus: Dionnet e Margerin, com “O homem do telefone”.

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Mais um detalhe deste quadrinho europeu:

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Em seguida mais uma história escrita e desenhada em duas mãos, que dava uma ideia do que estava por vir no futuro por Laerte e Glauco.

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Outro detalhe desta genial história:

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Quase fechando a revista o melhor da edição: Luiz Gê com “FUTBOIL”.

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Mas o que quer dizer “FUTBOIL”? Luiz Gê responde:

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Uma mostra dos livros publicados pela Circo Editorial com um anúncio de página inteira, com número de páginas, preços (na época era o cruzeiro!) e formato.

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E fechando a revista outra atração de peso: Liberatore desenhando uma história do Smith, mostrando a beleza de uma boa arte em preto e branco.

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Mais um detalhe da arte de Liberatore, mostrando a boa arte-final do desenho com pincel de nanquim.

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Na penúltima página surge um personagem da revista convidando a todos a aguardarem a segunda edição.

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Na última capa mais um anúncio para a Chiclete com Banana:

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Revista Piratas do Tietê no. 1 – Humor, quadrinhos e afins do Laerte

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Nos anos de 1990 o Brasil vivia um momento especial no mercado de quadrinhos. Durante décadas o mercado nacional vivia na mesmice do quadrinho de super-herói e afins, enquanto algumas poucas revistas com material underground circulava escondido por aí. Mas eis que de repente, através de alguns poucos corajosos um novo quadrinho independente foi aparecendo nas bancas, para todos terem acesso mesmo que isso ainda não significasse elevadas vendagens.

E até mesmo nos grandes jornais de circulação como o Estado de São Paulo e a Folha de São Paulo abriam páginas inteiras para divulgar e comentar sobre as novas publicações que estavam surgindo nas bancas. Neste período eu mesmo cheguei a colecionar recortes inteiros de jornal destas matérias, que traziam informações sobre novos autores e das publicações que surgiam nas bancas.

Neste cenário o Laerte surge já como uma figura reconhecida no meio, já que vinha despontando com o seu talento desde a década de 70 através da Balão, surgida dentro da USP, e principalmente pelas tiras publicadas diariamente na Folha de São Paulo, juntamente com Angeli e Glauco. Gostava tanto destas tiras que também cheguei a montar uma pasta inteira com recortes delas.

Mas o Laerte sempre me chamou a atenção pelo tipo de quadrinho que fazia: era engraçado, gracioso e completo. Mesmo comparado com seus pares sempre havia um ponto em seus quadrinhos que era superior, seja na diagramação, nos diálogos, na perspectiva de seus desenhos e nos personagens construídos de forma inspirada.

Laerte criou nesta década de 80 e 90 os muitos personagens, mas com certeza os melhores que se destacam e se identificam com ele estão os Piratas do Tietê. Os personagens surgiram na revista Chiclete com Banana, passearam pela revista Circo, e finalmente ganharam sua versão solo, a Piratas do Tietê, em mais ou menos na metade do ano de 1990.

Como toda publicação alternativa que se preze, era preciso fazer a diferença na banca, e a saída foi o formato. Enquanto o custo de impressão a cores ou papel especial continuava caríssimo, a aposta foi uma publicação com formato incomum com 25,5 cm de largura por 17 cm de altura e uma capa a duas cores (preto e vermelho apenas) e miolo em papel jornal. Este formato sobreviveu por 6 números, até que adotaram um formato mais convencional e uma capa colorida. Mais sobre as edições você pode conferir neste link.

Mas então vamos ao que interessa nesta primeira edição da Piratas do Tietê. Após o impacto da capa e da brincadeira com o logo da Coca-Cola, encontramos uma ilustração do Laerte na segunda capa:

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Na página 3 encontramos o editorial: nada de formalismos, nada de explicações muito óbvias, nem a defesa de nenhuma bandeira. Apenas o niilismo dos Piratas:

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Um detalhe dos créditos da revista com seus colaboradores e idealizadores:

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E agora acompanhem toda a primeira história da revista contando a origem dos Piratas. Resolvi publicar toda ela porque ela é excelente e mostra toda a genialidade do Laerte.

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Em outro post quero colocar o restante da revista Piratas do Tietê. Mas até aqui dá para entender o porque que os personagens dos Piratas conquistaram muitos fãs, principalmente pela mensagem libertária que eles passam.

E terminamos com a contra capa da revista, que é um anúncio da Chiclete com Banana:

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