Revista Animal no. 2 – Feio, Forte e Formal

Fuçando na minha caixa de coleções de revistas me deparei com uma surpresa: a revista Animal de no. 1 que eu tinha sumiu! Não sei onde foi parar! Então encontrei a revista Animal de no. 2, mas então não achei a capa dela, pois ela havia se soltado e nessas mudanças acabei perdendo ela. Antigamente eu mantinha minha coleção mais organizada, mas enquanto não tenho um armário legal para guardar, vou deixando esta organização mais para frente.

Mas vamos ao que interessa: a Animal de no. 2! Este exemplar acabei comprando pelos correios, pois só fui tomar conhecimento da existência desta revista quando já havia saído o no. 4. Como ela está sem a capa, vou começar então pelo índice. O desenho que ilustra o índice é do Massimo Mattiolli:

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No detalhe o índice com os autores das histórias publicadas e o conteúdo da revista:

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índice

A história que abre a revista é do Massimo Mattiolli, pela primeira vez publicada na Brasil. O interessante da revista é a publicação em cores dos quadrinhos, um verdadeiro luxo naqueles tempos, mas não em toda a revista, pois senão encareceria seu preço. A violência do quadrinho de Mattiolli era fenomenal, fora o detalhe de misturar personagens infantis com uma temática adulta:

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Mattioli

Em seguida encontramos outro europeu: Jacques de Loustal. Um detalhe de sua arte:

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Loustal

A partir daqui a qualidade do papel da revista muda e começam as histórias em preto e branco. Luc Cornillon é outro europeu com claras influências de Will Eisner.

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Luc Cornillon

Outro destaque da revista são as matérias presentes. Além de trazer informações de cada autor e uma breve biografia, ajudava o leitor brasileiro a se situar no que era produzido na Europa, com notícias de revistas, editoras e artistas de quadrinhos. Para mim foi a descoberta de um novo mundo. A coluna “TamTam” funcionava também como um editorial:

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tam tam

Nesta coluna encontramos uma clara influência da revista Animal: a espanhola El Vibora, que revelou importantes autores espanhóis e se tornou uma referência no quadrinho mundial como publicação.

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El Víbora

Em seguida encontramos Daniel Torres, expressão da ligne claire, herdeiro do traço de Hergé:

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Torres

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Torres

Depois de um quadrinho limpo, encontramos um mais sujo: Jordi Bernet nos desenhos e Segura Ortiz nos argumentos. A série Kraken é publicada pela primeira vez no Brasil, mas os autores já são conhecidos pelo personagem Torpedo, editado pela L&PM nesta época.

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Segura e Bernet

Agora segue o detalhe do quadrinho do qual foi retirado a capa desta edição de no. 2 da Animal. Se você quer saber como é capa, dá uma olhada no Google que você encontra fácil.

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Segura e Bernet

Agora chegando ao miolo da revista encontramos o encarte MAU – Feio, Sujo e Malvado. Impresso em papel jornal, se diferenciava da revista com um projeto gráfico mais sujo, lembrando a estética do fanzine, misturando musica, quadrinhos, cultura e fanzines.

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Mau: Feio Sujo e Malvado

 Uma página de MAU:

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No detalhe uma tira do Osvaldo Pavanelli

No detalha da contracapa os colaboradores de MAU:

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Os colaboradores do Mau

Dentro da MAU a melhor parte: uma seção de divulgação de fanzines e publicações alternativas: Maudito Fanzine. Você enviava seu fanzine pelos Correios e demorava um pouco, mas eram divulgados e você enchia a sua caixa de correios com cartas solicitando um exemplar seu (na verdade, algumas poucas…):

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Maudito Fanzine

Um quadrinho de A.C. Peres e Sergio Dantas Miranda. Este primeiro foi participante da revista Garatuja, de 1978 pela FAU – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, junto a revista Balão pela USP, que revelou Luiz Gê, Larte, Paulo e Chico Caruso. Um raro momento de resgatar autores nacionais importantes para a história do quadrinho nacional.

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A.C.Peres e Sergio Dantas Miranda

Em seguida uma reportagem sobre os The Blues Brothers, o filme de blues com John Belushi e Dan Aykroyd. Uma época sem a existência da internet, era a única forma de saber sobre cultura nestes tempos.

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The Blues Brothers

Agora vem um dos meus personagens preferidos: Edmundo, o Porco, por Veyron e Rochette, um anti-herói cuja função era engordar seus pares para a degola!

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Veyron e Rochette

Outro detalhe de Edmundo, o Porco:

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Veyron e Rochette

E finalmente o grand finale da revista Animal: a segunda parte da história de RanXerox em Nova Iorque, publicado pela primeira vez no Brasil. Ao invés de publicarem a história por inteiro, optaram por dividi-la em partes, e senão me engano é como foi publicada originariamente na Frigidaire. Sobre Ranxerox e seus criadores Tanino LiberatoreStefano Tamburini merecem um post só sobre eles.

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Tamburini e Liberatore

O impacto que RanXerox trouxe ao quadrinho mundial não tem igual. O hiperrealismo do desenho de Liberatore, o futuro sombrio, o sexismo, as drogas, a violência gratuita encontrada, representava o desencanto dos anos 80. Na verdade esse desencanto nos acompanha até hoje. Mas chega de elucubrações e vamos admirar a arte de Liberatore, do qual sou fã. Em outro post vou colocar aqui o álbum que a Editora Nemo lançou com a série completa de RanXerox.

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Tamburini e Liberatore

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Tamburini e Liberatore

O detalhe da arte de Liberatore impressiona:

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Tamburini e Liberatore

Um dos personagens na história:

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Tamburini e Liberatore

A entrada triunfal de RanXerox:

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Tamburini e Liberatore

Os dois últimos quadrinhos desta segunda parte da história:

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Tamburini e Liberatore

E assim terminamos a nossa revista Animal no. 2.

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Fanzine Coquetel Molotov

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A revista Animal durou de 1988 a 1991 com corajosos 22 números nas bancas brasileiras, e foi a melhor revista em quadrinhos da época.

Descobri por acaso a revista Animal de no.4 numa banca de Campinas, e comprei os números anteriores pelo correio. Como a distribuição era complicada, não era em qualquer banca de jornal que se encontrava a revista e também havia o preço um pouco elevado em relação aos demais gibis.

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Mas não quero falar muito da história da revista agora, mas sim sobre a edição que saiu a divulgação do meu fanzine que fazia naqueles tempos.

Comecei com o título de Coquetel Molotov, mas após um ou dois números acabei abreviando para Molotov mesmo e enviava os poucos mais de 20 exemplares de tiragem em cópias xerox para algumas revistas divulgarem e para outros fanzineiros como troca de zines.

Fuçando na minha coleção encontrei a revista Animal  no. 7 que acabou divulgando meu fanzine e provo a todos que não estava mentindo sobre o meu passado…

O mais legal da revista Animal era um encarte no meio chamado Mau, impresso em papel jornal, que tinha uma estética meio de fanzine, com muita colagem de textos e imagens, e abordava vários assuntos entre musica, sexo e quadrinhos undergrond,  onde se destacava uma seção chamado Maudito Fanzine. Nesta seção é que eles divulgavam os endereços dos fanzines e faziam um breve review de cada um deles.

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Fiquei muito feliz quando saiu meu endereço (ainda morava em Campinas, SP) e também pelo desenho que fiz copiado de algum lugar, onde inseri a palavra “zine” na leitura e que fazia parte da capa do meu fanzine, como uma espécie de vinheta. Esses detalhes ainda me lembro, apesar de tudo isso eu já ter jogado fora já faz mais de 10 anos.

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Mas como mantenho minha coleção de revistas em quadrinhos, com algumas coisas desta época, pretendo aos poucos ir escrevendo e tirando algumas fotos para divulgar. Se eu tiver um pouco mais de paciência e tempo pretendo até escanear toda a minha coleção e fazer uma espécie de biblioteca virtual disponível a todos. E quem sabe até imprimir este blog e voltar a editar um fanzine de verdade, que na verdade eu acho muito mais legal de ler do que em um computador. É a volta do analógico!