Let’s Go! Ping Pong Club – capítulo 1

Conforme o prometido, aqui vai a primeira página do mangá de “Let’s Go! Ping Pong Club”.

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A segunda página de “Ike! Inachu Takyubu” com a apresentação da história.

No Japão as séries de mangas normalmente são publicadas em revistas semanais de grandes tiragens, impressas em papel jornal com tiragens na casa do milhão, e muitas vezes são descartáveis.

Depois as editoras publicam as histórias reunidas em livros e que são vendidas nas livrarias, quando é a oportunidade de reunir a sua coleção dos personagens dos quais você realmente aprecia.

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Título do primeiro capítulo: “Prédio da escola dos seis”

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O prédio da escola dos estudantes do ensino médio no Japão. Em seguida a sala dos alunos que participam do clube de Ping Pong.

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Apresentando os personagens principais: Takeda, o líder da turma de Ping Pong. Em seguida temos Maeno, um dos participantes (um maluco-pervertido) da turma de Ping Pong.

Maeno: “Hei! Takeda!”

Takeda: “O que foi?”

Maeno: “Você quer experimentar pegar um dos meus novos saques?” – Maeno é um grande pervertido que acredita que sabe alguma coisa.

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Takeda: “O que foi? Mais outro saque esquisito?”

Maeno: “Não! Agora é um saque de verdade!”

Maeno: “He, he, he!” (risada sarcástica)

Clima de suspense!

Acompanhe no próximo capítulo!

E não custa lembrar: em japones lê-se o quadro primeiro da direita para a esquerda! E as letras em japones estão na vertical, sempre obedecendo a leitura da direita para a esquerda também.

Revista Circo no. 1 Quadrinhos da Babilônia com Alcy, Glauco, Laerte, Luiz Gê e o melhor do quadrinho internacional

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A revista Circo só cheguei a conhecer no número 6, lançada em outubro de 1987, e na época acabei comprando mais pelo impulso pois estava viciado em quadrinhos, e já tinha lido e comprado de tudo e se bem me lembro na banca só tinha aquela edição sobrando. Pela graça do destino comprei, me apaixonei e foi então que comecei a correr atrás das primeiras edições para completar a minha coleção.

Mas como não tinha acesso a nenhuma banca mais especializada, o único caminho era tentar na base da sorte e fuçando em algumas bancas que vendiam revistas usadas, e em cerca de um ano, completei a minha coleção de Circo.

* * * *

Com a proposta de publicar quadrinho de humor nas livrarias, a Circo Editorial do Toninho Mendes surge trazendo autores como Luiz Gê, Angeli, Laerte, Ciça, Glauco, Paulo e Chico Caruso como seu time principal.

Na esteira do “sucesso” da revista Chiclete com Banana, a Circo Editorial se arrisca então com uma proposta ousada: surge a revista Circo, como coletânea para o bom material europeu que continuava inédito por aqui e a abertura para o bom quadrinho nacional que não tinha espaço para publicação regular em bancas.

A revista Circo sobreviveu por corajosos 8 números, com periodicidade bimestral, teve uma edição especial e uma outra edição em formato poster, ambos com quadrinhos do Laerte.

* * * *

Um grande artista nacional que foi publicado na revista Circo foi o Luiz Gê, que era o editor da revista e sempre me perguntei porque será que depois desta época ele sumiu do mercado de quadrinhos nacional, só publicando esporadicamente uma coisa e outra.

Luiz Gê era um artista completo: suas histórias tinham argumento, seus diálogos eram bem construídos, havia sempre um bom enredo e seus desenhos passavam profundidade, beleza e sabiam explorar muito bem a textura gráfica. Talvez pela sua formação em arquitetura, desenvolveu um outro olhar na forma de construir uma página de quadrinhos, e realmente se destacava dos demais autores na revista Circo.

Virei e sou um fã de seu trabalho até hoje: não me desfiz da minha coleção da revista Circo justamente pelo seu quadrinho. Uma pena que hoje em dia muito pouco se vê de seu trabalho. Mas na internet a gente fuçando acha coisa muito bacana e compartilho um link sobre seu álbum Avenida Paulista, que ainda não adquiri mas está na minha lista de compras até o final do ano.

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A revista Circo procurou em cada número explorar uma temática: neste número 1 encontramos o tema urbano, as cidades e suas paisagens de concreto. A segunda página conta com um detalhe de um quadrinho, mas sem referência sobre o autor, e a primeira história da revista por Luiz Gê funciona como um editorial da proposta da revista:

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Um detalhe da arte do Luiz Gê: “Ah, que interessante! É sempre animado assim?

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Na página 7 finalmente encontramos o índice da edição:

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Um detalhe dos créditos da revista e da data de sua publicação:

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Agora é a vez do Laerte com os seus Piratas do Tietê. Entre cada história encontramos um detalhe de uma paisagem urbana.

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E um detalhe da arte do Laerte:

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Agora vem uma atração internacional: Torpedo 1936 com “Tempos Difíceis” por Abuli e Bernet. Este personagem surge pela Circo, mas depois reaparece na revista Animal e tem alguns de seus álbuns publicados pela L&PM editores.

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Um detalhe de Torpedo:

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Agora vem o Geraldão pelo Glauco.

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Um detalhe hilário da arte do Glauco:

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Agora tem a participação de outro autor nacional: Alcy.

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Na página central um poster com a continuação da história do Alcy:

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Depois uma história meio regular de dois artistas europeus: Dionnet e Margerin, com “O homem do telefone”.

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Mais um detalhe deste quadrinho europeu:

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Em seguida mais uma história escrita e desenhada em duas mãos, que dava uma ideia do que estava por vir no futuro por Laerte e Glauco.

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Outro detalhe desta genial história:

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Quase fechando a revista o melhor da edição: Luiz Gê com “FUTBOIL”.

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Mas o que quer dizer “FUTBOIL”? Luiz Gê responde:

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Uma mostra dos livros publicados pela Circo Editorial com um anúncio de página inteira, com número de páginas, preços (na época era o cruzeiro!) e formato.

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E fechando a revista outra atração de peso: Liberatore desenhando uma história do Smith, mostrando a beleza de uma boa arte em preto e branco.

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Mais um detalhe da arte de Liberatore, mostrando a boa arte-final do desenho com pincel de nanquim.

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Na penúltima página surge um personagem da revista convidando a todos a aguardarem a segunda edição.

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Na última capa mais um anúncio para a Chiclete com Banana:

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Revista Animal no. 2 – Feio, Forte e Formal

Fuçando na minha caixa de coleções de revistas me deparei com uma surpresa: a revista Animal de no. 1 que eu tinha sumiu! Não sei onde foi parar! Então encontrei a revista Animal de no. 2, mas então não achei a capa dela, pois ela havia se soltado e nessas mudanças acabei perdendo ela. Antigamente eu mantinha minha coleção mais organizada, mas enquanto não tenho um armário legal para guardar, vou deixando esta organização mais para frente.

Mas vamos ao que interessa: a Animal de no. 2! Este exemplar acabei comprando pelos correios, pois só fui tomar conhecimento da existência desta revista quando já havia saído o no. 4. Como ela está sem a capa, vou começar então pelo índice. O desenho que ilustra o índice é do Massimo Mattiolli:

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No detalhe o índice com os autores das histórias publicadas e o conteúdo da revista:

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A história que abre a revista é do Massimo Mattiolli, pela primeira vez publicada na Brasil. O interessante da revista é a publicação em cores dos quadrinhos, um verdadeiro luxo naqueles tempos, mas não em toda a revista, pois senão encareceria seu preço. A violência do quadrinho de Mattiolli era fenomenal, fora o detalhe de misturar personagens infantis com uma temática adulta:

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Mattioli

Em seguida encontramos outro europeu: Jacques de Loustal. Um detalhe de sua arte:

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Loustal

A partir daqui a qualidade do papel da revista muda e começam as histórias em preto e branco. Luc Cornillon é outro europeu com claras influências de Will Eisner.

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Luc Cornillon

Outro destaque da revista são as matérias presentes. Além de trazer informações de cada autor e uma breve biografia, ajudava o leitor brasileiro a se situar no que era produzido na Europa, com notícias de revistas, editoras e artistas de quadrinhos. Para mim foi a descoberta de um novo mundo. A coluna “TamTam” funcionava também como um editorial:

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tam tam

Nesta coluna encontramos uma clara influência da revista Animal: a espanhola El Vibora, que revelou importantes autores espanhóis e se tornou uma referência no quadrinho mundial como publicação.

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El Víbora

Em seguida encontramos Daniel Torres, expressão da ligne claire, herdeiro do traço de Hergé:

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Torres

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Torres

Depois de um quadrinho limpo, encontramos um mais sujo: Jordi Bernet nos desenhos e Segura Ortiz nos argumentos. A série Kraken é publicada pela primeira vez no Brasil, mas os autores já são conhecidos pelo personagem Torpedo, editado pela L&PM nesta época.

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Segura e Bernet

Agora segue o detalhe do quadrinho do qual foi retirado a capa desta edição de no. 2 da Animal. Se você quer saber como é capa, dá uma olhada no Google que você encontra fácil.

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Segura e Bernet

Agora chegando ao miolo da revista encontramos o encarte MAU – Feio, Sujo e Malvado. Impresso em papel jornal, se diferenciava da revista com um projeto gráfico mais sujo, lembrando a estética do fanzine, misturando musica, quadrinhos, cultura e fanzines.

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Mau: Feio Sujo e Malvado

 Uma página de MAU:

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No detalhe uma tira do Osvaldo Pavanelli

No detalha da contracapa os colaboradores de MAU:

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Os colaboradores do Mau

Dentro da MAU a melhor parte: uma seção de divulgação de fanzines e publicações alternativas: Maudito Fanzine. Você enviava seu fanzine pelos Correios e demorava um pouco, mas eram divulgados e você enchia a sua caixa de correios com cartas solicitando um exemplar seu (na verdade, algumas poucas…):

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Maudito Fanzine

Um quadrinho de A.C. Peres e Sergio Dantas Miranda. Este primeiro foi participante da revista Garatuja, de 1978 pela FAU – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, junto a revista Balão pela USP, que revelou Luiz Gê, Larte, Paulo e Chico Caruso. Um raro momento de resgatar autores nacionais importantes para a história do quadrinho nacional.

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A.C.Peres e Sergio Dantas Miranda

Em seguida uma reportagem sobre os The Blues Brothers, o filme de blues com John Belushi e Dan Aykroyd. Uma época sem a existência da internet, era a única forma de saber sobre cultura nestes tempos.

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The Blues Brothers

Agora vem um dos meus personagens preferidos: Edmundo, o Porco, por Veyron e Rochette, um anti-herói cuja função era engordar seus pares para a degola!

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Veyron e Rochette

Outro detalhe de Edmundo, o Porco:

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Veyron e Rochette

E finalmente o grand finale da revista Animal: a segunda parte da história de RanXerox em Nova Iorque, publicado pela primeira vez no Brasil. Ao invés de publicarem a história por inteiro, optaram por dividi-la em partes, e senão me engano é como foi publicada originariamente na Frigidaire. Sobre Ranxerox e seus criadores Tanino LiberatoreStefano Tamburini merecem um post só sobre eles.

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Tamburini e Liberatore

O impacto que RanXerox trouxe ao quadrinho mundial não tem igual. O hiperrealismo do desenho de Liberatore, o futuro sombrio, o sexismo, as drogas, a violência gratuita encontrada, representava o desencanto dos anos 80. Na verdade esse desencanto nos acompanha até hoje. Mas chega de elucubrações e vamos admirar a arte de Liberatore, do qual sou fã. Em outro post vou colocar aqui o álbum que a Editora Nemo lançou com a série completa de RanXerox.

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Tamburini e Liberatore

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Tamburini e Liberatore

O detalhe da arte de Liberatore impressiona:

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Tamburini e Liberatore

Um dos personagens na história:

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Tamburini e Liberatore

A entrada triunfal de RanXerox:

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Tamburini e Liberatore

Os dois últimos quadrinhos desta segunda parte da história:

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Tamburini e Liberatore

E assim terminamos a nossa revista Animal no. 2.

Sobre o blog Coquetel Molotov

Coquetel Molotov foi o nome do meu primeiro fanzine lá pelos idos de 1989. Infelizmente acabei jogando tudo fora e fiquei sem original ou cópia para provar minha originalidade. Quem sabe encontro alguma revista de quadrinhos antiga que divulgava fanzines e posso encontrar meu zine por lá. Mas agora pretendo construir este blog aos poucos com minha coleção de quadrinhos. Por enquanto é só intenção e imaginação, mas quem sabe a coisa vai tomando forma com o tempo.