Bob Cuspe é a Salvação

E continuando sobre a revista Chiclete com Banana número 1 que comecei neste post, vamos para a primeira história da revista estrelada por um dos principais personagens do Angeli que é o Bob Cuspe, nosso anti-herói!

As páginas estão um pouco “lavadas” pela qualidade da impressão da revista, que infelizmente saiu com muitos defeitos ao longo da edição. Esta é a segunda edição da número 1, lançada quase que três anos atrás do inicio da revista e demonstra a popularidade do Angeli e seus quadrinhos perante o público leitor.

Com esta revista é alcançado um público jovem bem mais amplo que muitos quadrinhos independentes alcançaram até aquela época e influenciou muitos aspirantes a desenhistas (inclusive eu) na forma de fazer seus quadrinhos.

Com toda a certeza Angeli criou uma verdadeira escola de quadrinhos nacionais, influenciando meio mundo daquela época até os dias atuais.

Mas o mais importante é curtir esta história do Bob Cuspe, que aliás conta a sua origem e trajetória, explicando suas motivações pessoais. E ainda continua tão atual nesses tempos em que vivemos.

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E em ano de eleição para 2014 fica a dica: Bob Cuspe para presidente!

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Revista Chiclete com Banana no. 1 do Angeli

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Chiclete com Banana número 1 – 2a. edição

A revista Chiclete com Banana faz parte da história do quadrinho nacional recente. Sem a existência desta revista, do seu autor Angeli e dos seus personagens, posso afirmar com certeza que não haveria um quadrinho nacional independente e nem teríamos um amplo público de quadrinho no Brasil.

A Chiclete com Banana foi com certeza o lançamento mais importante da editora Circo, do Toninho Mendes. E nasceu num momento histórico importante no Brasil: Tancredo Neves é eleito indiretamente o primeiro presidente após a ditadura militar, acaba falecendo logo em seguida para dar lugar a José Sarney – que aliás até hoje vive na confortável sombra do poder político – e sobrevive entre 1985  a 1990 enfrentando os mais variados planos econômicos do governo.

O número 1 de Chiclete com Banana foi às bancas em outubro de 1985, quando entrou em cena a chamada Nova República. Depois de 21 anos de ditadura, os generais trocavam a farda pelo pijama. Cambaleante, o país tentava respirar. Em suas 24 edições, a revista presenciou a volta das eleições diretas, o recuo da sacanagem por causa da aids, a inflação delirante, o movimento punk, o congelamento de preços, o modismo new wave e, por incrível que pareça, quatro moedas circulantes: o cruzado, o cruzado novo, a URV e o real” (Antologia Chiclete com Banana, no. 1 Junho de 2000, editora Devir).

O sucesso de Chiclete com Banana era explicado por sua tiragem: inicialmente com tiragem de 20.000 exemplares, pulou para 40.000 na terceira edição e chegou a 110.000 exemplares entre os números 7 e 8, para então se estabilizar nos 60.000 exemplares. E tudo isso com uma periodicidade meio que bimestral, além de algumas edições especiais.

Eu comecei a colecionar a Chiclete com Banana somente no número sete, poia até então ignorava completamente esse tipo de revista. Mas fui começar a gostar de verdade  quando a revista mudou um pouco sua linha editorial, abrindo para mais colaboradores, inserindo mais textos e até colocando um papel melhor e algumas cores. Mas aí já estávamos na 16a. edição.

Com o sucesso da Chiclete com Banana era difícil encontrar nas bancas exemplares usados, então quando a própria editora Circo relançou seus primeiros números é que tive a chance de completar minha coleção.

Editorial da segunda edição da primeira edição. Entendeu?

Editorial da segunda edição da primeira edição. Entendeu?

Página 2 da Chiclete com Banana: Hit Parade

Página 2 da Chiclete com Banana: Hit Parade

Página 3

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Página 4 - Os créditos da Chiclete com Banana: uma revista quase feita por um homem só.

Página 4 – Os créditos da Chiclete com Banana: uma revista quase feita por um homem só.

Percebam que esta edição não foi muito bem impressa na gráfica: as páginas estão “lavadas” e o preto não é preto.

Um detalhe dos créditos da revista

Um detalhe dos créditos da revista

E apresentando o personagem principal: Bob Cuspe!

Página 5: Bob Cuspe para prefeito! A idéia do voto nulo toma forma!

Página 5: Bob Cuspe para prefeito! A idéia do voto nulo toma forma!

Mas a história do Bob Cuspe vou deixar para um próximo post, assim como o restante da edição.

As informações sobre a Chiclete com Banana e a história do país peguei emprestadas de uma tese muito bacana de uma estudante que publicou seu mestrado em 2012. Você pode baixar essa tese aqui.

 

 

 

 

 

Revista Piratas do Tietê no. 1 – Humor, quadrinhos e afins do Laerte

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Nos anos de 1990 o Brasil vivia um momento especial no mercado de quadrinhos. Durante décadas o mercado nacional vivia na mesmice do quadrinho de super-herói e afins, enquanto algumas poucas revistas com material underground circulava escondido por aí. Mas eis que de repente, através de alguns poucos corajosos um novo quadrinho independente foi aparecendo nas bancas, para todos terem acesso mesmo que isso ainda não significasse elevadas vendagens.

E até mesmo nos grandes jornais de circulação como o Estado de São Paulo e a Folha de São Paulo abriam páginas inteiras para divulgar e comentar sobre as novas publicações que estavam surgindo nas bancas. Neste período eu mesmo cheguei a colecionar recortes inteiros de jornal destas matérias, que traziam informações sobre novos autores e das publicações que surgiam nas bancas.

Neste cenário o Laerte surge já como uma figura reconhecida no meio, já que vinha despontando com o seu talento desde a década de 70 através da Balão, surgida dentro da USP, e principalmente pelas tiras publicadas diariamente na Folha de São Paulo, juntamente com Angeli e Glauco. Gostava tanto destas tiras que também cheguei a montar uma pasta inteira com recortes delas.

Mas o Laerte sempre me chamou a atenção pelo tipo de quadrinho que fazia: era engraçado, gracioso e completo. Mesmo comparado com seus pares sempre havia um ponto em seus quadrinhos que era superior, seja na diagramação, nos diálogos, na perspectiva de seus desenhos e nos personagens construídos de forma inspirada.

Laerte criou nesta década de 80 e 90 os muitos personagens, mas com certeza os melhores que se destacam e se identificam com ele estão os Piratas do Tietê. Os personagens surgiram na revista Chiclete com Banana, passearam pela revista Circo, e finalmente ganharam sua versão solo, a Piratas do Tietê, em mais ou menos na metade do ano de 1990.

Como toda publicação alternativa que se preze, era preciso fazer a diferença na banca, e a saída foi o formato. Enquanto o custo de impressão a cores ou papel especial continuava caríssimo, a aposta foi uma publicação com formato incomum com 25,5 cm de largura por 17 cm de altura e uma capa a duas cores (preto e vermelho apenas) e miolo em papel jornal. Este formato sobreviveu por 6 números, até que adotaram um formato mais convencional e uma capa colorida. Mais sobre as edições você pode conferir neste link.

Mas então vamos ao que interessa nesta primeira edição da Piratas do Tietê. Após o impacto da capa e da brincadeira com o logo da Coca-Cola, encontramos uma ilustração do Laerte na segunda capa:

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Na página 3 encontramos o editorial: nada de formalismos, nada de explicações muito óbvias, nem a defesa de nenhuma bandeira. Apenas o niilismo dos Piratas:

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Um detalhe dos créditos da revista com seus colaboradores e idealizadores:

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E agora acompanhem toda a primeira história da revista contando a origem dos Piratas. Resolvi publicar toda ela porque ela é excelente e mostra toda a genialidade do Laerte.

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Em outro post quero colocar o restante da revista Piratas do Tietê. Mas até aqui dá para entender o porque que os personagens dos Piratas conquistaram muitos fãs, principalmente pela mensagem libertária que eles passam.

E terminamos com a contra capa da revista, que é um anúncio da Chiclete com Banana:

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Revista Chiclete com Banana e Los Tres Amigos

A revista Chiclete com Banana surgiu nos anos 1980 em um importante momento histórico do Brasil: o início da redemocratização e o surgimento de uma cena editorial que revelou novos autores e várias novas revistas nas bancas brasileiras. Sua trajetória foi de outubro de 1985 a novembro de 1990, com exatos 24 números e algumas edições especiais.

Dentro destas edições especiais lançadas existe uma sobre Los Tres Amigos, que reúnem os artistas LaerteGlauco e Angeli em divertidas e hilárias aventuras que representam o melhor de cada desenhista.

Esta edição na verdade é uma re-edição da 1a. edição especial sobre os Los Tres Amigos, mas em formato grande, com cerca de 34 cm por 25,5 cm, um tamanho diferente do comum e que se destacava nas bancas por justamente não caber nas prateleiras normais. Uma iniciativa editorial digna de respeito.

Seguem as fotos da publicação:

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A capa. Notem o preço: Cr$4.000,00 !!

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Um editorial na página 2 e o índice das histórias.

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O índice da edição em detalhes. A foto com Los Tres Amigos é impagável!

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A primeira história “Paris, Texas” que conta a origem do grupo.

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A segunda história  ”León no Perdona!” que apresenta o temível León de Tchácara!

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Na página 15 “Sangre de un Pueblo!” ou melhor dizendo “Glauquito es un hijo da puta!”.

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Na história seguinte “Adondestará Laertón?”, percebam na página anterior uma foto de abertura para cada história. Um capricho editorial.

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Na página central da revista um verdadeiro poster com o desenho dos três artistas: “Vai hablando PepeLegal!”

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O temível “El Gran Manú”!!

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“Duelo de Chihuauas”, com participações especiais de Clark Kent e Jimmy Olsen. Mais no final também aparece o Fantasma.

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Por fim a última história “Por um puñado de Miguelitos”.

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No final da edição encontra-se os créditos. Só não descobri a data certa da edição.

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Na contra-capa o lay-out de outra edição especial em formato grande, que também possuo e fico devendo um post sobre esta revista também.