Review de Coprólitos do Marcatti

Capa

Capa

Marcatti sempre foi um autor independente que fez sua própria história e se mantém na ativa ainda hoje com iniciativas louváveis e mantendo o seu pioneirismo na publicação autoral independente.

Sua última iniciativa foi o lançamento de uma coletânea dos melhores e mais escatológicos quadrinhos de uma longa produção, principalmente dos anos 1980 e 1990, pelos sistema de crowdfunding da Catarse.

Ultimamente temos encontrados várias iniciativas de lançamentos de quadrinhos autorais pelo sistema de financiamento coletivo no Brasil. Algumas acabam não vingando, mas quando temos um autor já mais estabelecido, como foi o caso do Marcatti, o projeto extrapolou a quantia necessária e arrecadou mais do que o dobro exigido.

Mas como não participei do projeto, acabei adquirindo meu exemplar no próprio site que Marcatti mantém e que você pode também adquirir outras obras dele.

O álbum Coprólitos tem a marca de ter sido impresso de maneira quase que artesanal, um meio termo entre o fanzine xerocopiado e a produção profissional gráfica. Além da qualidade das obras reunidas, além de uma divertida leitura, revela um cuidado e esmero com a produção gráfica, seja pelo cuidado com a tipografia ou pelo índice remissivo de suas obras.

Dos seus quadrinhos é bom avisar: quem não curte escatologia é melhor não adquirir. Se eu tivesse criado aqui um sistema de avaliação de quadrinhos, daria nota máxima tanto pela iniciativa quanto pelo valor da obra do Marcatti.

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Review de Monstros dos Fanzines: Joacy Jamys

Monstros dos Fanzines no.1

Monstros dos Fanzines no.1

Não poderia deixar de escrever algo sobre este fanzine: na mesma linha de Quadritos, seu editor Marcos de Freitas lançou um especial com quadrinhos do Joacy Jamys, um artista independente que acompanhei nos anos 1980 e que para a minha surpresa faleceu há alguns anos atrás muito jovem ainda.

A edição contém 136 páginas e faz um apanhado geral sobre toda a produção de Joacy Jamys nos anos 1980 e 1990, com inúmeros quadrinhos publicados pelos fanzines que Jamys editou e colaborou. Ainda me lembro dos fanzines que adquiri com ele naquela época, que era o Legenda e posteriormente o SingularPlural, em associação com outros artistas do Maranhão.

Uma característica em geral dos que faziam seus quadrinhos e publicavam nos fanzines era a criação de histórias curtas, às vezes em uma página só. Assim neste volume de Monstros dos Fanzines encontramos inúmeras histórias do Jamys, abordando os mais variados estilos e temáticas, sendo a principal o gênero de ficção e fantasia.

Uma pena o trabalho não ter uma certa ordem cronológica, pois daria para perceber melhor a evolução do Jamys ao longo dos anos. Mas isso não impede de admirar um cara que marcou época na cena dos fanzines no Brasil e fez sua história pessoal virar uma marca ainda hoje reconhecida no meio independente.

A iniciativa de Marcos de Freitas é louvável pois resgata um artista que atuou muito nesta cena de quadrinhos independente brasileiro, muito anterior a internet e a certas facilidades que encontramos hoje, e trás uma edição caprichada com capa colorida, impressa em papel especial.

Contém ainda um artigo escrito por Gazy Andraus contando a história de Jamys e uma breve entrevista nos mostrando um pouco mais de sua personalidade.

Para que puder apoiar esta iniciativa é só entrar em contato pelo Blog do Quadritos.

Review do Fanzine Quadritos

Capa e Contra-capa de Quadritos 11

Capa e Contra-capa de Quadritos 11

Falar do Fanzine Quadritos é falar do saudoso tempo dos fanzineiros no Brasil: no final da década de 1980 e começo dos anos 1990 o Brasil viveu um período glorioso da efervescência dos fanzines.

Cópias xerocadas, grampeadas uma a uma, com artigos escritos com máquinas datilográficas e recheadas de quadrinhos independentes circulavam pelo Brasil inteiro, com a ajuda dos Correios.

Muito antes da internet promover o acesso a informação no Brasil e no mundo, era nos fanzines que buscávamos o novo e o inusitado na produção independente brasileira e no mundo.

Enquanto hoje encontramos uma certa dificuldade na imensa variedade de fontes de informação que a internet proporciona, na época áurea dos fanzines cada novidade era absorvida com sede incontida. Ter participado deste momento é motivo de orgulho ainda hoje.

Na história do Quadritos esta publicação foi um dos poucos que se destacaram e se tornaram uma referencia para todos que se iniciavam pelo universo dos fanzines.

Haviam muitos fanzines, e eu mesmo cheguei a editar alguns deles, mas alguns tinham o dom de merecerem ser o centro das atenções e aglutinavam o chamado “movimento”. Outras publicações foram o Psiu, o SingularPlural e a Marca de Fantasia.

Não cheguei a ter uma participação tão ativa naqueles tempos: ainda era um adolescente que não sabia o que queria, mas gostava daquele mundo de trocas de fanzines, de editar seus próprios quadrinhos, de escrever sobre eles e ter uma voz e ser ouvido por alguém. Mas o pouco do que participei me deixou boas lembranças e recentemente resolvi ir atrás de quem me lembrava que editava os fanzines, com a ajuda do onipresente Google.

Assim fazendo uma rápida pesquisa me deparei com o Blog do Quadritos, e que neste ano de 2013 seu criador Marcos de Freitas retomou seu fanzine da época em que editava e vem promovendo assim um revival destes áureos tempos que o fanzines circulou pelo Brasil naqueles tempos.

Quadritos no.10

Quadritos no.10

Quando recebi minha encomenda pelo correio foi deja vu: lá estavam os fanzines envelopados com todo cuidado para chegar a mim. Foram quatro edições adquiridas: o Quadritos de no.10 e 11, o especial Monstros dos Fanzines no.1 com Joacy James e o Quadritos Extra no.1 com Vaughn Bodé. Todas as edições impressas em offset e papel couché 90g, muito bem impressas e com qualidade excepcional.

Na edição de no.10 o Quadritos retoma a numeração de onde parou e de certa forma é comemorativa dos 26 anos de história, republicando quadrinhos de artistas consagrados deste período: Flavio Colin, Will e Laudo, Flávio Calazans, Marina Zlander e Jacob Klemencic, Gazy Andraus e Mozart Couto.

São 40 páginas dedicadas ao quadrinho independente brasileiro, pioneiros do século passado! Retoma de certa forma a tradição do fanzine como ponto de partida de revelar artistas e valorizar a história do quadrinho brasileiro.

Quadritos no.11

Quadritos no.11

E a edição de no.11 do Quadritos ressurge como um verdadeiro tomo: 100 páginas reunidas com o melhor de quadrinhos e resenhas sobre diversos assuntos, além da capa colorida por Emir Ribeiro.

Encontramos os seguintes artistas: Bira, Flávio Calazans, Gazy Andraus, Luciano Irthum, Henrique Magalhães, Edgard Guimarães, do próprio Marcos Freitas e Batata, do Emir Ribeiro e de Vaughn Bodé.

Além dos quadrinhos, mais alguns artigos sobre reviews e uma longa entrevista com Calazans que reconta um pouco da história deste momento que os fanzines viveram nos anos 1980 e a reafirmação do quadrinho nacional nos anos 1990 com as publicações independentes daquela época.

O criador do Quadritos Marcos Freitas atua também como um publisher independente: além de sua publicação criou iniciativas para publicar histórias em álbuns fechados, como o Monstros dos Fanzines, que em sua primeira edição reuniu boas histórias de outro artista que fez história nos fanzines o Joacy Jamys.

Para quem quiser conhecer e apoiar esta iniciativa é só entrar em contato pelo Blog do Quadritos ou enviando um email para fanzinequadritos@gmail.com. Em tempo: os exemplares são muito baratos: só para se ter uma idéia o Quadritos no.11 custa somente 10 dilmas, com mais o custo de Correios por 2 dilmas.

Joacy Jamys

Joacy Jamys

Vaugh Bodé

Vaughn Bodé

Coprólitos por Marcatti: unboxing!

Outra aquisição que fiz no começo do mês passado e que chegou também nesta semana é o novo álbum do Marcatti, o Coprólitos

Meio que por acaso fiquei sabendo deste lançamento através do site Catarse que promoveu o projeto deste quadrinho com financiamento coletivo, mas já havia encerrado o prazo. Como tinha alguns exemplares antigos do Marcatti e não podia ficar sem este quadrinho dele, fui no site do Marcatti e lá fiz a compra do álbum Coprólitos. Aproveitei o frete gratuito e adquiri também o álbum Mariposa, este editado pela Conrad.

O bacana é que este álbum foi todo impresso de modo artesanal pelo próprio Marcatti, reunindo toda a sua produção entre 1986 e 1992.

Em breve farei um review detalhado dos álbuns e fiquem com o unboxing das edições:

 

Fanzine Quadritos: unboxing!

Nesta semana chegou uma encomenda dos Correios que aguardava ansioso: o fanzine Quadritos!

Me lembrei da época que aguardava o carteiro passar em casa para deixar as correspondencias com os fanzines dentro dos envelopes, alguns mais amassados, outros meio sujos, mas o importante é que chegavam em casa. Esse período deve ter durado mais de dois anos e hoje depois de 20 anos estou recomeçando minha coleção de zines também.

Recentemente fuçando pela internet redescobri um fanzine que cheguei a entrar em contato na época e que era bem conhecido pelos fanzineiros nos anos 1990: o Quadritos, editado pelo Marcos Freitas.

O Marcos tem um blog e lá você conhece mais sobre os fanzines que ele edita, além de entrar em contato para adquirir também.

Em breve vou fazer um review detalhado dos fanzines, enquanto isso fiquem com um unboxing da encomenda que chegou:

Fanzine Psiu: edição especial sobre Deus

Outro dia escrevi sobre minha pequena contribuição na edição especial de quadrinhos sobre Deus do fanzine Psiu, do qual guardo com muito carinho este exemplar e acredito que ainda hoje não houve trabalho igual seja no meio alternativo quanto no mercado comum.

Assim gostaria de mostrar mais alguns detalhes desta edição que a torna tão especial para mim.

Em primeiro vem a capa. Lembrando que na época não foi feito uma capa de verdade, pela quantidade de páginas e pelos custos de produção gráficos, ficando a cargo de cada um a responsabilidade de fazer a sua.

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Após a capa encontramos o índice com a relação dos autores participantes. No detalhe do desenho o autor Edgard Guimarães presente.

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Agora em ordem alfabética os participantes, Encontramos muitos amadores mas temos alguns mais conhecidos.

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Nos créditos os agradecimentos aos participantes e ao personagem principal.

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No prefácio do álbum percebam mais um desenho do editor Edgard Guimarães, como um personagem que está presente ao longo da edição, desde o índice, e que reforça a ideia do fanzine como obra autoral.

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Um dos pontos altos é um extenso artigo sobre Deus como personagem, tema e referencia na história em quadrinhos brasileira ao longo da história, com imagens, dados e referencias, um verdadeiro tratado sobre o assunto. Além das histórias em quadrinhos, esta é a parte mais bacana da leitura.

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No detalhe um cartum do Jaguar presente no artigo, e que curto muito.

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Outra parte é uma seleção de histórias já publicadas nas revistas sobre o tema Deus e que capricham mais ainda na riqueza da edição, contando um apanhado de artistas com os mais variados estilos e interpretações sobre o personagem divino.

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Um autor nacional que gosto muito é o Luiz Gê, uma pena que anda meio sumido da cena de quadrinhos mais recente.

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Mais um pequeno artigo, desta vez discutindo como Deus se apresenta no mundo dos super-heróis e se eles mesmos pelos super poderes que apresentam não seriam deuses sobre a Terra.

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No final da edição, uma parte importante é o currículo resumido de cada autor que retrata historicamente o que cada um produzia na época e nos dá uma ideia da cena independente da época.

Como não poderia deixar de registrar, mais uma foto sobre a minha presença neste álbum independente.

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Confira aqui uma entrevista com Edgard Guimarães e seu trabalho nos fanzines.

 

Lodo, Ventosa, Editora Pro-C

Outro dia comentei sobre o Marcatti e suas publicações independentes, e fuçando no meu baú – na verdade uma caixa de papelão de mudança – encontrei as revistas que tenho dele.

Não tem muito o que falar sobre o trabalho do Marcatti, e se você fizer uma pesquisa rápida na internet vai encontrar coisa muito melhor sobre o trabalho dele do que eu escrevendo.

Mas o que eu quero mostrar são as revistas que tenho do Marcatti, adquiridas pelo correio no começo de 1990. Nesta época eu era bem “jovenzinho” e confesso que às vezes ficava meio chocado com suas histórias de temáticas adultas, envolvendo sexo, escatologia, contestação, libertinagem e coisas fora do senso comum.

Eu ainda era um jovem leitor oriundo dos gibis de super-heróis entrar em contato com este mundo “marginal” foi como uma viagem de descoberta para o verdadeiro quadrinho autoral.

Estas influências de uma certa forma até hoje existem na minha procura por revistas em quadrinhos que coleciono, pois não dá para você investir todo seu “suado” dinheiro comprando qualquer coisa.

Mas apreciem estas fotos que tirei destas revistas:

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Fanzine Psiu

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No começo da minha jornada pelo fantástico mundo dos fanzines, no final dos anos 1980, o único meio de contato era por carta. Havia uma agencia dos correios perto de casa e até virei um “conhecido” do funcionário que me atendia, quando enviava cartas pelo Brasil afora em contato com os fanzineiros.

Um fanzine em especial que era frequentemente elogiado nas publicações que lia era do Edgard Guimarães, que editava o Psiu. Edgard era natural de Minas Gerais, havia editado somente dois números do seu fanzine quando adquiri com ele meus exemplares, e estava para lançar uma edição especial só de quadrinhos com uma temática única.

Seu projeto era muito ambicioso e original: lançar uma edição de quadrinhos cujo tema seria Deus, abrangendo a maior colaboração possível de artistas amadores e com estilos diferentes.

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Como não poderia deixar de participar, logo tratei de escrever uma história em quadrinhos, pois também pretendia ser desenhista nesta época. Nos meusfanzines ainda arriscava uns rabiscos.

Fiz então minha história cujo personagem principal era Deus, ainda muito influenciado pelo traço do Angeli, que gostava muito, e acabei realizando a mais longa história que já havia feito, com 11 páginas desenhadas e arte-finalizadas a nanquim.

Quando ficou pronto o Edgard muito gentilmente enviou uma cópia impressa do álbum para mim e para todos os artistas que participaram. Acabei recebendo minha cópia, mas como os custos de impressão eram proibitivos nestes tempos, veio sem capa e com as folhas simplesmente coladas. Como também não tinha grana para mandar encadernar, até hoje mantenho a cópia no “original”, agora já com as folhas um pouco amareladas, dando um charmevintage para o fanzine.

As histórias em quadrinhos presentes neste fanzine dão um apanhado geral da vitalidade dos artistas amadores que haviam no Brasil naquele momento. gerando mais de 260 páginas neste álbum em quadrinhos.

Mais para a frente pretendo escrever um post com mais detalhes sobre a edição e publicar mais fotos. Também espero entrar em contato com Edgard e quem sabe escrever mais sobre o assunto futuramente.

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Na página 2 os nomes dos colaboradores.

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Em detalhe no centro o meu nome como colaborador. Mas escrito errado no sobrenome…

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Em detalhe o nome do editor, a tiragem e a data de impressão do fanzine.

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A primeira página da minha história. No alto da página um versículo da bíblia e a imagem de Deus que fiz…

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Mais uma visão geral da história.

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Um detalhe legal: no alto de cada página uma frase com a temática de Deus escrita por todo o fanzine.

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Por último o índice dos autores e suas respectivas histórias.

Fanzine Coquetel Molotov

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A revista Animal durou de 1988 a 1991 com corajosos 22 números nas bancas brasileiras, e foi a melhor revista em quadrinhos da época.

Descobri por acaso a revista Animal de no.4 numa banca de Campinas, e comprei os números anteriores pelo correio. Como a distribuição era complicada, não era em qualquer banca de jornal que se encontrava a revista e também havia o preço um pouco elevado em relação aos demais gibis.

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Mas não quero falar muito da história da revista agora, mas sim sobre a edição que saiu a divulgação do meu fanzine que fazia naqueles tempos.

Comecei com o título de Coquetel Molotov, mas após um ou dois números acabei abreviando para Molotov mesmo e enviava os poucos mais de 20 exemplares de tiragem em cópias xerox para algumas revistas divulgarem e para outros fanzineiros como troca de zines.

Fuçando na minha coleção encontrei a revista Animal  no. 7 que acabou divulgando meu fanzine e provo a todos que não estava mentindo sobre o meu passado…

O mais legal da revista Animal era um encarte no meio chamado Mau, impresso em papel jornal, que tinha uma estética meio de fanzine, com muita colagem de textos e imagens, e abordava vários assuntos entre musica, sexo e quadrinhos undergrond,  onde se destacava uma seção chamado Maudito Fanzine. Nesta seção é que eles divulgavam os endereços dos fanzines e faziam um breve review de cada um deles.

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Fiquei muito feliz quando saiu meu endereço (ainda morava em Campinas, SP) e também pelo desenho que fiz copiado de algum lugar, onde inseri a palavra “zine” na leitura e que fazia parte da capa do meu fanzine, como uma espécie de vinheta. Esses detalhes ainda me lembro, apesar de tudo isso eu já ter jogado fora já faz mais de 10 anos.

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Mas como mantenho minha coleção de revistas em quadrinhos, com algumas coisas desta época, pretendo aos poucos ir escrevendo e tirando algumas fotos para divulgar. Se eu tiver um pouco mais de paciência e tempo pretendo até escanear toda a minha coleção e fazer uma espécie de biblioteca virtual disponível a todos. E quem sabe até imprimir este blog e voltar a editar um fanzine de verdade, que na verdade eu acho muito mais legal de ler do que em um computador. É a volta do analógico!

Sobre o blog Coquetel Molotov

Coquetel Molotov foi o nome do meu primeiro fanzine lá pelos idos de 1989. Infelizmente acabei jogando tudo fora e fiquei sem original ou cópia para provar minha originalidade. Quem sabe encontro alguma revista de quadrinhos antiga que divulgava fanzines e posso encontrar meu zine por lá. Mas agora pretendo construir este blog aos poucos com minha coleção de quadrinhos. Por enquanto é só intenção e imaginação, mas quem sabe a coisa vai tomando forma com o tempo.