Akira de Katsuhiro Otomo

Akira

Akira

Voltando a falar um pouco sobre mangá, não poderia deixar de colocar neste blog uma preciosidade que guardo até hoje comigo: o mangá original de Akira por Katsuhiro Otomo.

No final dos anos 1980 já tinha ouvido falar sobre Akira mas quando viajei ao Japão em 1995, passeando por uma livraria japonesa me deparo com a primeira edição do encadernado de Akira lançado pela Kodansha. Um exemplar único com 366 páginas em capa especial colorida, com 8 páginas iniciais coloridas em papel especial e todo o restante do mangá em preto e branco, conforme publicado originalmente na revista Young Magazine entre 1982 e 1990.

Esta coleção de Akira é comemorativa aos 10 anos da série e é composta de 6 volumes, cada um variando entre 300 a 400 páginas e custava cerca de 1.000 a 1.200 ienes, hoje cerca de 24 dilmas mais ou menos.

Young Magazine

Young Magazine

Posteriormente esta coleção foi publicada nos EUA e na Europa também, além da coleção colorida e adaptada ao formato ocidental que foi lançada nos anos 1990.

Sobre a obra de Katsuhiro Otomo você encontra muita coisa boa pela internet, mas a sua maioria é em inglês. Infelizmente no Brasil Akira foi inicialmente lançada pela editora Globo, que publicou a versão americana da série em cores, mas até hoje Akira continua inédito por aqui.

Muito antes do sucesso que o mangá conquistou pelo mundo, devemos principalmente a Akira por abrir caminhos para que a forma japonesa de quadrinhos conquistasse o mundo e principalmente aqui no Brasil, que permanece um grande mercado consumidor de mangás.

Enquanto os comics de super-heróis há vários anos permanece estagnado por falta de idéias novas e seu apelo de mercado vem aos poucos diminuindo, o mangá ainda continua firme e forte, apesar de já não ser mais o mesmo.

É de se admirar que um artista consiga manter o folego de produção por oito anos seguido contando uma longa história, principalmente na sequencia final de Akira que contém longas páginas de ação e enredo sem praticamente conter nenhum diálogo nem extensas explicações, que muitas vezes encontramos em certos quadrinhos.

Espero que alguma editora tenha a iniciativa de lançar Akira no Brasil, pois não podemos ficar sem uma obra dessas em nosso mercado.

Seguem as fotos das edições para que apreciem um bom mangá.

Volume 1 e 2

Volume 1 e 2

Volume 3 e 4

Volume 3 e 4

Volume 5 e 6

Volume 5 e 6

Detalhe da primeira edição

Detalhe da primeira edição

Detalhe da primeira edição

Detalhe da primeira edição

Detalhe da primeira edição

Detalhe da primeira edição

Uma página da primeira edição

Uma página da primeira edição

Contra-capa do volume 1 e 2

Contra-capa do volume 1 e 2

Contra-capa do volume 3 e 4

Contra-capa do volume 3 e 4

Contra-capa do volume 5 e 6

Contra-capa do volume 5 e 6

Os seis volumes reunidos

Os seis volumes reunidos

A equipe de produção dos volumes

Um detalhe da contra-capa do volume 6 contendo tudo sobre Akira

Um detalhe da contra-capa do volume 6 contendo tudo sobre Akira

Anúncios

Review de Coprólitos do Marcatti

Capa

Capa

Marcatti sempre foi um autor independente que fez sua própria história e se mantém na ativa ainda hoje com iniciativas louváveis e mantendo o seu pioneirismo na publicação autoral independente.

Sua última iniciativa foi o lançamento de uma coletânea dos melhores e mais escatológicos quadrinhos de uma longa produção, principalmente dos anos 1980 e 1990, pelos sistema de crowdfunding da Catarse.

Ultimamente temos encontrados várias iniciativas de lançamentos de quadrinhos autorais pelo sistema de financiamento coletivo no Brasil. Algumas acabam não vingando, mas quando temos um autor já mais estabelecido, como foi o caso do Marcatti, o projeto extrapolou a quantia necessária e arrecadou mais do que o dobro exigido.

Mas como não participei do projeto, acabei adquirindo meu exemplar no próprio site que Marcatti mantém e que você pode também adquirir outras obras dele.

O álbum Coprólitos tem a marca de ter sido impresso de maneira quase que artesanal, um meio termo entre o fanzine xerocopiado e a produção profissional gráfica. Além da qualidade das obras reunidas, além de uma divertida leitura, revela um cuidado e esmero com a produção gráfica, seja pelo cuidado com a tipografia ou pelo índice remissivo de suas obras.

Dos seus quadrinhos é bom avisar: quem não curte escatologia é melhor não adquirir. Se eu tivesse criado aqui um sistema de avaliação de quadrinhos, daria nota máxima tanto pela iniciativa quanto pelo valor da obra do Marcatti.

Review de Monstros dos Fanzines: Joacy Jamys

Monstros dos Fanzines no.1

Monstros dos Fanzines no.1

Não poderia deixar de escrever algo sobre este fanzine: na mesma linha de Quadritos, seu editor Marcos de Freitas lançou um especial com quadrinhos do Joacy Jamys, um artista independente que acompanhei nos anos 1980 e que para a minha surpresa faleceu há alguns anos atrás muito jovem ainda.

A edição contém 136 páginas e faz um apanhado geral sobre toda a produção de Joacy Jamys nos anos 1980 e 1990, com inúmeros quadrinhos publicados pelos fanzines que Jamys editou e colaborou. Ainda me lembro dos fanzines que adquiri com ele naquela época, que era o Legenda e posteriormente o SingularPlural, em associação com outros artistas do Maranhão.

Uma característica em geral dos que faziam seus quadrinhos e publicavam nos fanzines era a criação de histórias curtas, às vezes em uma página só. Assim neste volume de Monstros dos Fanzines encontramos inúmeras histórias do Jamys, abordando os mais variados estilos e temáticas, sendo a principal o gênero de ficção e fantasia.

Uma pena o trabalho não ter uma certa ordem cronológica, pois daria para perceber melhor a evolução do Jamys ao longo dos anos. Mas isso não impede de admirar um cara que marcou época na cena dos fanzines no Brasil e fez sua história pessoal virar uma marca ainda hoje reconhecida no meio independente.

A iniciativa de Marcos de Freitas é louvável pois resgata um artista que atuou muito nesta cena de quadrinhos independente brasileiro, muito anterior a internet e a certas facilidades que encontramos hoje, e trás uma edição caprichada com capa colorida, impressa em papel especial.

Contém ainda um artigo escrito por Gazy Andraus contando a história de Jamys e uma breve entrevista nos mostrando um pouco mais de sua personalidade.

Para que puder apoiar esta iniciativa é só entrar em contato pelo Blog do Quadritos.

Review do Fanzine Quadritos

Capa e Contra-capa de Quadritos 11

Capa e Contra-capa de Quadritos 11

Falar do Fanzine Quadritos é falar do saudoso tempo dos fanzineiros no Brasil: no final da década de 1980 e começo dos anos 1990 o Brasil viveu um período glorioso da efervescência dos fanzines.

Cópias xerocadas, grampeadas uma a uma, com artigos escritos com máquinas datilográficas e recheadas de quadrinhos independentes circulavam pelo Brasil inteiro, com a ajuda dos Correios.

Muito antes da internet promover o acesso a informação no Brasil e no mundo, era nos fanzines que buscávamos o novo e o inusitado na produção independente brasileira e no mundo.

Enquanto hoje encontramos uma certa dificuldade na imensa variedade de fontes de informação que a internet proporciona, na época áurea dos fanzines cada novidade era absorvida com sede incontida. Ter participado deste momento é motivo de orgulho ainda hoje.

Na história do Quadritos esta publicação foi um dos poucos que se destacaram e se tornaram uma referencia para todos que se iniciavam pelo universo dos fanzines.

Haviam muitos fanzines, e eu mesmo cheguei a editar alguns deles, mas alguns tinham o dom de merecerem ser o centro das atenções e aglutinavam o chamado “movimento”. Outras publicações foram o Psiu, o SingularPlural e a Marca de Fantasia.

Não cheguei a ter uma participação tão ativa naqueles tempos: ainda era um adolescente que não sabia o que queria, mas gostava daquele mundo de trocas de fanzines, de editar seus próprios quadrinhos, de escrever sobre eles e ter uma voz e ser ouvido por alguém. Mas o pouco do que participei me deixou boas lembranças e recentemente resolvi ir atrás de quem me lembrava que editava os fanzines, com a ajuda do onipresente Google.

Assim fazendo uma rápida pesquisa me deparei com o Blog do Quadritos, e que neste ano de 2013 seu criador Marcos de Freitas retomou seu fanzine da época em que editava e vem promovendo assim um revival destes áureos tempos que o fanzines circulou pelo Brasil naqueles tempos.

Quadritos no.10

Quadritos no.10

Quando recebi minha encomenda pelo correio foi deja vu: lá estavam os fanzines envelopados com todo cuidado para chegar a mim. Foram quatro edições adquiridas: o Quadritos de no.10 e 11, o especial Monstros dos Fanzines no.1 com Joacy James e o Quadritos Extra no.1 com Vaughn Bodé. Todas as edições impressas em offset e papel couché 90g, muito bem impressas e com qualidade excepcional.

Na edição de no.10 o Quadritos retoma a numeração de onde parou e de certa forma é comemorativa dos 26 anos de história, republicando quadrinhos de artistas consagrados deste período: Flavio Colin, Will e Laudo, Flávio Calazans, Marina Zlander e Jacob Klemencic, Gazy Andraus e Mozart Couto.

São 40 páginas dedicadas ao quadrinho independente brasileiro, pioneiros do século passado! Retoma de certa forma a tradição do fanzine como ponto de partida de revelar artistas e valorizar a história do quadrinho brasileiro.

Quadritos no.11

Quadritos no.11

E a edição de no.11 do Quadritos ressurge como um verdadeiro tomo: 100 páginas reunidas com o melhor de quadrinhos e resenhas sobre diversos assuntos, além da capa colorida por Emir Ribeiro.

Encontramos os seguintes artistas: Bira, Flávio Calazans, Gazy Andraus, Luciano Irthum, Henrique Magalhães, Edgard Guimarães, do próprio Marcos Freitas e Batata, do Emir Ribeiro e de Vaughn Bodé.

Além dos quadrinhos, mais alguns artigos sobre reviews e uma longa entrevista com Calazans que reconta um pouco da história deste momento que os fanzines viveram nos anos 1980 e a reafirmação do quadrinho nacional nos anos 1990 com as publicações independentes daquela época.

O criador do Quadritos Marcos Freitas atua também como um publisher independente: além de sua publicação criou iniciativas para publicar histórias em álbuns fechados, como o Monstros dos Fanzines, que em sua primeira edição reuniu boas histórias de outro artista que fez história nos fanzines o Joacy Jamys.

Para quem quiser conhecer e apoiar esta iniciativa é só entrar em contato pelo Blog do Quadritos ou enviando um email para fanzinequadritos@gmail.com. Em tempo: os exemplares são muito baratos: só para se ter uma idéia o Quadritos no.11 custa somente 10 dilmas, com mais o custo de Correios por 2 dilmas.

Joacy Jamys

Joacy Jamys

Vaugh Bodé

Vaughn Bodé