A inovação em tecnologia no Japão em 1996

banzai

A foto não tem relação nenhuma com o post!

Hoje em dia a tecnologia móvel nos cerca: temos acesso a smartphones poderosos, notebooks, tablets, pc, mp3 player, pendrives, modens e outras novidades que surgem a cada dia. A internet nos cerca hoje e é praticamente impossível viver longe dela: temos serviços de banco, podemos fazer compras sem sair de casa, importar coisas da China e nos relacionar com meio mundo.

A vida digital é cada vez mais presente e neste mundo que vivemos imaginar como era há uns vinte anos atrás era de se pensar: como é que eu vivia sem tudo isso? Mas a verdade é que nós vivíamos e muito bem.

Apesar disso a tecnologia móvel sempre me encantou, e durante um período de minha vida que morei no Japão, foi na verdade meu primeiro contato com a inovação em tecnologia. Na década de 80 e começo dos anos 90 o Brasil era um verdadeiro atraso no campo do acesso a tecnologia.

Haviam os computadores pessoais, que eram brinquedos caros e de acesso somente para os que tinham mais dinheiro. O celular foi surgir por aqui lá pelos idos de 1997 ou posterior, e eram aparelhos grandes e analógicos.

Imagina ter um notebook! Se não me engano, só havia como trazer aparelhos importados e custavam naquela época mais de R$10.000,00! Era o preço equivalente a um carro.

Assim quando fui morar no Japão entre 1995 e 1996, meu desejo por tecnologia se atiçou e lá pude conhecer um monte de coisa bacana, que podia pelo menos ver, já que não dava para comprar tudo, pois também não tinha tanta grana disponível.

Mas ainda assim fiz uma certa coleção de gadgets daquela época e hoje resolvi procurar pela internet para mostrar a vocês como era naqueles tempos.

Haviam muitos modelos de notebooks, mas como são hoje coisas comuns e também não havia nada muito especial, vou deixar de lado.

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Sony Walkmen: alguém ainda tem um desses?

A coisa mais desejada pelos jovens eram os Walkmen, principalmente os da Sony. O modelo que adquiri era todo em metal e era muito fino e leve, praticamente do mesmo tamanho da fita cassete, e não aqueles formatos grandes que a gente tem lembrança. No fio do fone de ouvido havia um controle remoto com um mini display e você podia prendê-lo na roupa e deixava seu Walkmen escondido no bolso ou na mochila.

Outro detalhe eram a infinidade de modelos de fita cassete disponíveis, com vários minutos e modelos diferentes. As embalagens tinham um design moderno e voltados principalmente ao público jovem.

Você também podia alugar um CD ou um single numa loja de “rentaru cd” e gravar na sua fita cassete em casa e devolver no dia seguinte. Era o meio mais fácil e econômico para se ter acesso as músicas.

O problema é que normalmente só as musicas japonesas e de sucesso comercial estavam disponíveis, mas se você procurasse bem poderia descobrir coisas diferentes, além de coisas do estrangeiro como rock ou metal.

Mas logo meu interesse pela fita cassete esfriou: surge naquela época o Minidisc, que permitia gravar as musicas do CD para um formato digital. Então adquiri um CD player da Sony com saída óptica digital e tratei de comprar um MD player que permitisse gravar também.

Lembro que na época gastei um bom dinheiro economizado, até porque como era lançamento os preços eram caros.

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MD Player: hoje é velharia!

Com o CD player ligado, bastava conectar o MD player e ir passando suas músicas para o Minidisc.

O porém é que cada minidisc tinha um tempo fixo de gravação, igual uma fita cassete, tipo 74 minutos ou mais, eram caros e quando voltei para o Brasil me dei conta que por aqui eram caríssimos e difíceis de encontrar.

Logo abandonei meu MD player.

Outro gadget bacana que tinha eram os PDA: agenda, contatos, notas, etc, tudo na palma da mão, e muito mais portáteis que um notebook.

Foi então que comprei um Sharp Zaurus: era todo em japonês, mas a tela era touch com canetinha e transmitia dados por infra-vermelho com outro Zaurus! A tela era monocromática, era meio pesado mas cabia no bolso do paleto e o recurso mais legal é que tinha um dicionário de kanji e de tradução japonês-inglês. Você poderia escrever o kanji na tela e o software entendia o que se escrevia. E nem precisava escrever devagar, pois até meio rabiscado a maquina entendia.

O modelo que eu tinha acho que era um PI-3000.

Zaurus

Sharp Zaurus PI-3000

PI3000_lcds

Sharp Zaurus: uma foto mal feita tirada da internet.

PI-3000s

Sharp Zaurus: com a tela fechada.

Logo depois que eu comprei um Zaurus, surgiu um outro modelo ainda mais avançado: eu em lembro que saiu um com tela colorida, bem maior e que tinha até um modem de acesso a internet!

Outro recurso que observei na época no Japão é que alguns orelhões tinha um conector que permitia ligar seu notebook para acessar a internet (discada ainda) pagando com cartão telefônico!

Essas eram as maravilhas tecnológicas japonesas de 1996. Comparando com hoje, a Sony perdeu espaço com seu Walkmen para os MP3 players, a Sharp só tem mesmo ainda no Japão, o MD não vingou e as fitas cassetes sumiram. E o Japão como potência econômico estagnou e foram ultrapassados pela China. Aliás tudo quanto é coisa barata no mundo é de origem chinesa.

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