Revista Piratas do Tietê no. 1 – Humor, quadrinhos e afins do Laerte

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Nos anos de 1990 o Brasil vivia um momento especial no mercado de quadrinhos. Durante décadas o mercado nacional vivia na mesmice do quadrinho de super-herói e afins, enquanto algumas poucas revistas com material underground circulava escondido por aí. Mas eis que de repente, através de alguns poucos corajosos um novo quadrinho independente foi aparecendo nas bancas, para todos terem acesso mesmo que isso ainda não significasse elevadas vendagens.

E até mesmo nos grandes jornais de circulação como o Estado de São Paulo e a Folha de São Paulo abriam páginas inteiras para divulgar e comentar sobre as novas publicações que estavam surgindo nas bancas. Neste período eu mesmo cheguei a colecionar recortes inteiros de jornal destas matérias, que traziam informações sobre novos autores e das publicações que surgiam nas bancas.

Neste cenário o Laerte surge já como uma figura reconhecida no meio, já que vinha despontando com o seu talento desde a década de 70 através da Balão, surgida dentro da USP, e principalmente pelas tiras publicadas diariamente na Folha de São Paulo, juntamente com Angeli e Glauco. Gostava tanto destas tiras que também cheguei a montar uma pasta inteira com recortes delas.

Mas o Laerte sempre me chamou a atenção pelo tipo de quadrinho que fazia: era engraçado, gracioso e completo. Mesmo comparado com seus pares sempre havia um ponto em seus quadrinhos que era superior, seja na diagramação, nos diálogos, na perspectiva de seus desenhos e nos personagens construídos de forma inspirada.

Laerte criou nesta década de 80 e 90 os muitos personagens, mas com certeza os melhores que se destacam e se identificam com ele estão os Piratas do Tietê. Os personagens surgiram na revista Chiclete com Banana, passearam pela revista Circo, e finalmente ganharam sua versão solo, a Piratas do Tietê, em mais ou menos na metade do ano de 1990.

Como toda publicação alternativa que se preze, era preciso fazer a diferença na banca, e a saída foi o formato. Enquanto o custo de impressão a cores ou papel especial continuava caríssimo, a aposta foi uma publicação com formato incomum com 25,5 cm de largura por 17 cm de altura e uma capa a duas cores (preto e vermelho apenas) e miolo em papel jornal. Este formato sobreviveu por 6 números, até que adotaram um formato mais convencional e uma capa colorida. Mais sobre as edições você pode conferir neste link.

Mas então vamos ao que interessa nesta primeira edição da Piratas do Tietê. Após o impacto da capa e da brincadeira com o logo da Coca-Cola, encontramos uma ilustração do Laerte na segunda capa:

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Na página 3 encontramos o editorial: nada de formalismos, nada de explicações muito óbvias, nem a defesa de nenhuma bandeira. Apenas o niilismo dos Piratas:

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Um detalhe dos créditos da revista com seus colaboradores e idealizadores:

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E agora acompanhem toda a primeira história da revista contando a origem dos Piratas. Resolvi publicar toda ela porque ela é excelente e mostra toda a genialidade do Laerte.

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Em outro post quero colocar o restante da revista Piratas do Tietê. Mas até aqui dá para entender o porque que os personagens dos Piratas conquistaram muitos fãs, principalmente pela mensagem libertária que eles passam.

E terminamos com a contra capa da revista, que é um anúncio da Chiclete com Banana:

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