Let’s Go! Ping Pong Club – capítulo 1

Conforme o prometido, aqui vai a primeira página do mangá de “Let’s Go! Ping Pong Club”.

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A segunda página de “Ike! Inachu Takyubu” com a apresentação da história.

No Japão as séries de mangas normalmente são publicadas em revistas semanais de grandes tiragens, impressas em papel jornal com tiragens na casa do milhão, e muitas vezes são descartáveis.

Depois as editoras publicam as histórias reunidas em livros e que são vendidas nas livrarias, quando é a oportunidade de reunir a sua coleção dos personagens dos quais você realmente aprecia.

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Título do primeiro capítulo: “Prédio da escola dos seis”

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O prédio da escola dos estudantes do ensino médio no Japão. Em seguida a sala dos alunos que participam do clube de Ping Pong.

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Apresentando os personagens principais: Takeda, o líder da turma de Ping Pong. Em seguida temos Maeno, um dos participantes (um maluco-pervertido) da turma de Ping Pong.

Maeno: “Hei! Takeda!”

Takeda: “O que foi?”

Maeno: “Você quer experimentar pegar um dos meus novos saques?” – Maeno é um grande pervertido que acredita que sabe alguma coisa.

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Takeda: “O que foi? Mais outro saque esquisito?”

Maeno: “Não! Agora é um saque de verdade!”

Maeno: “He, he, he!” (risada sarcástica)

Clima de suspense!

Acompanhe no próximo capítulo!

E não custa lembrar: em japones lê-se o quadro primeiro da direita para a esquerda! E as letras em japones estão na vertical, sempre obedecendo a leitura da direita para a esquerda também.

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Qual é o melhor meio digital para ler seus quadrinhos? – Parte 1

Desde jovem sempre colecionei quadrinhos, e como qualquer criança comecei a ler meus gibis pela Turma da Mônica do Mauricio de Souza. Era a época do famoso “formatinho”, com cores chapadas e só se encontrava revistas neste formato nas bancas. O tempo foi passando, o mercado amadurecendo e vieram os formatos grandes das revistas, o papel melhor e a impressão a cores especial.

No final dos anos 90 abandonei minha coleção, joguei fora alguns títulos antigos, outros se perderam pelas mudanças e há cerca de seis anos atras, com o advento de melhores smartphones, a aparição do Ipad e toda a pirataria disponível pela web, tornaram possível a minha vontade de colecionar quadrinhos novamente.

Desde então eu me deparo com uma dúvida cruel: qual o melhor meio de se ler um quadrinho digital hoje em dia?

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Nokia 6120

Meu primeiro Smartphone foi um Nokia 6120, que logo vendi para comprar um Nokia 5800 e depois parti para o iPhone 3GS. Tudo isso em cerca de dois anos. Nesse tempo a tecnologia móvel deu uma grande salto de qualidade e com o iPhone e seu iOS, possibilitou que surgissem inúmeros apps que permitiram transformar o celular num verdadeiro canivete suíço. É lógico que uma possibilidade que sempre me chamou a atenção foi a opção de ler quadrinhos num aparelho móvel.

Nokia 5800

Nokia 5800

Na época da Nokia você enviava um arquivo pdf no celular e ficava com o teclado de zoom aumentando e direcionando a imagem para lá e para cá, para poder ler. Só que depois tudo ficava muito cansativo e tinha que forçar um pouco a vista para ler em uma tela tão pequena: o Nokia 6120 tinha 2,8 polegadas de tamanho, então imagina o sacrifício que era ler algo.

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iPhone 3GS

Já o iPhone 3GS foi uma grande revolução com sua tela de 3,5 polegadas com o recurso do pinch to zoom: para uma leitura mais confortável você deixava o celular na horizontal e só com o toque na tela fazia a mudança de página, dava um zoom com dois dedos e comparado com a Nokia era uma maravilha.

Com o lançamento da App Store, a Apple também possibilitou que inúmeros aplicativos interessantes surgissem e principalmente os apps dedicados para a leitura de quadrinhos. Não me recordo direito quem começou primeiro, mas acredito que a Marvel lançou primeiro seu app, apostando no novo formato digital e em seguida foi acompanhada pela DC. A ComixLogic é outra loja conhecida que também oferece quadrinhos de várias editoras, com um catálogo mais amplo.

A principal novidade tecnológica era a leitura quadro a quadro do quadrinho, já que a principal limitação ainda é o tamanho da tela do smartphone. Outra novidade foi o surgimento aos poucos de uma animação dentro dos quadrinhos: uma onomatopéia que surge, um balão atrás de outro e até algum movimento dos personagens. Isso lembrava até aqueles antigos desenhos de televisão da Marvel nos anos 60, que eram a transposição dos quadrinhos para o formato televisivo. Mas a tentativa aqui era ampliar o interesse do publico pelos quadrinhos, já que ultimamente o mercado tradicional que quadrinhos vem encolhendo pouco a pouco.

Outro aspecto positivo do meio digital é o preço mais acessível dos quadrinhos: você encontra desde revistas gratuitas a preços variando entre centavos de dólares a três dólares ou pouco mais. Fora a possibilidade de encontrar edições mais antigas ou até mesmo raridades. Por exemplo um personagem que foi publicado aqui no Brasil mas nunca teve a série completa é o American Flagg do Howard Chaykkin e que você encontra disponível na ComixLogic as 12 edições por $19,99. O porém é que tudo está em inglês, e você não encontra quadrinhos disponíveis em português.

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ComixLogic

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ComixLogic

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ComixLogic

O inconveniente da leitura de quadrinhos no smatphone é a tela pequena, pois na condução para o trabalho, na fila do banco ou um passatempo rápido quebra um galho, mas para além da leitura curtir a arte e a diagramação de um bom gibi a tradicional revista é imbatível.

Até que surgiu o iPad e minhas esperanças de carregar minha coleção de gibis num aparelho só me animou! Mas isso é assunto para um outro post.

Let’s Go! Ping Pong Club por Minoru Furuya

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Capa do manga “Ike! Inachu Takyubu” por Minoru Furuya.

Em inglês é traduzido como “Let’s Go!Ping Pong Club” e conta a história de seis jovens japoneses estudantes do ensino médio que participam de um clube de ping pong na escola. A série foi publicada nos anos 90 no Japão, rendeu um seriado de televisão e podem ser comparados a uma espécie de South Park nipônico.

O humor de “Ike! Inachu Takyubu” é escrachado, com personagens doentios e caricaturas adultas, junto com um pouco de perversão, paixão e um peculiar humor japonês, que para o ocidental fica meio difícil de compreender. Mas o mangá é apaixonante, seus personagens são a antítese do herói e uma pena não terem sido publicados aqui no Brasil. Para quem está acostumado com Dragon Ball, será uma grande diferença.

Minha pretensão é publicar aqui algumas histórias com uma tradução livre do mangá, apresentando seus personagens principais aos poucos e explicando um pouco sobre a cultura japonesa.

Leitura de Quadrinhos no Kindle: Watchmen por Allan Moore e Dave Gibbons

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Outro dia escrevi um post sobre como colocar sua coleção de quadrinhos para leitura no Kindle, que além de ser um excelente aparelho para ler livros em formato de e-book, também podemos ler quadrinhos nele.

Através da Kindle Store são encontradas várias coleções de gibis das grandes editoras,  e recentemente a Amazon liberou que autores independentes pudessem publicar sua histórias e vender diretamente ao público, sem intermediários. Para isso foi criado um programa chamado Kindle Comic Creator, e com ele você pode também adaptar toda a sua coleção de quadrinhos digital para leitura no Kindle.

A única coisa inconveniente na leitura de quadrinhos no Kindle é sua tela de e-ink: o quadrinho não fica em alta definição, então é necessário escolher uma história com uma arte que possibilite uma boa leitura.

A vantagem do Kindle é a sua leveza ao segurar como leitura principalmente na cama, antes de dormir, ou por muitas horas seguidas. Mesmo sendo um modelo mais antigo, como é o meu caso, pois não preciso ficar preocupado em tocar na tela toda hora e acabar mudando sem querer, como nos modelos mais recentes que possuem a tela touch.

Dentro da minha coleção digital de quadrinhos escolhi Watchmen do Allan Moore e Dave Gibbons para converter no formato do Kindle. Não preciso nem falar sobre a importância da história para o quadrinho mundial pois se Watchmen se tornou um ícone da cultura pop no mundo, além de possuir o mérito de colocar o quadrinho de super-herói como literatura séria.

Outro fato marcante de Watchmen foi alçar seu escritor Allan Moore como um super-star do quadrinho mundial e referência no gênero. Mas o bacana foi Moore possuir uma postura pouco afeita ao mercado e manifestar explicitamente seu incômodo pelo assédio da industria cultural em sua obra.

Após a conversão de Watchmen para o formato de leitura no Kindle, encontramos o modo de leitura quadro a quadro.

Primeiro encontramos a página inteira:

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Acionando o botão do lado direito ou esquerdo para virar a página, entra automaticamente no modo “panel” e então você começa sua leitura quadro a quadro.

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Como Dave Gibbons fez a história desenhando em quadros iguais página por página, o Kindle Comic Creator consegue rapidamente identificar seus quadros. Pelo traço limpo do seu desenho, mesmo com a tela de e-ink em preto e branco, fica uma agradável leitura.

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E assim ficamos com o prazer da leitura de Watchmen, uma história que desde que foi lançada, nunca me canso de ler e reler.

Revista Circo no. 1 Quadrinhos da Babilônia com Alcy, Glauco, Laerte, Luiz Gê e o melhor do quadrinho internacional

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A revista Circo só cheguei a conhecer no número 6, lançada em outubro de 1987, e na época acabei comprando mais pelo impulso pois estava viciado em quadrinhos, e já tinha lido e comprado de tudo e se bem me lembro na banca só tinha aquela edição sobrando. Pela graça do destino comprei, me apaixonei e foi então que comecei a correr atrás das primeiras edições para completar a minha coleção.

Mas como não tinha acesso a nenhuma banca mais especializada, o único caminho era tentar na base da sorte e fuçando em algumas bancas que vendiam revistas usadas, e em cerca de um ano, completei a minha coleção de Circo.

* * * *

Com a proposta de publicar quadrinho de humor nas livrarias, a Circo Editorial do Toninho Mendes surge trazendo autores como Luiz Gê, Angeli, Laerte, Ciça, Glauco, Paulo e Chico Caruso como seu time principal.

Na esteira do “sucesso” da revista Chiclete com Banana, a Circo Editorial se arrisca então com uma proposta ousada: surge a revista Circo, como coletânea para o bom material europeu que continuava inédito por aqui e a abertura para o bom quadrinho nacional que não tinha espaço para publicação regular em bancas.

A revista Circo sobreviveu por corajosos 8 números, com periodicidade bimestral, teve uma edição especial e uma outra edição em formato poster, ambos com quadrinhos do Laerte.

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Um grande artista nacional que foi publicado na revista Circo foi o Luiz Gê, que era o editor da revista e sempre me perguntei porque será que depois desta época ele sumiu do mercado de quadrinhos nacional, só publicando esporadicamente uma coisa e outra.

Luiz Gê era um artista completo: suas histórias tinham argumento, seus diálogos eram bem construídos, havia sempre um bom enredo e seus desenhos passavam profundidade, beleza e sabiam explorar muito bem a textura gráfica. Talvez pela sua formação em arquitetura, desenvolveu um outro olhar na forma de construir uma página de quadrinhos, e realmente se destacava dos demais autores na revista Circo.

Virei e sou um fã de seu trabalho até hoje: não me desfiz da minha coleção da revista Circo justamente pelo seu quadrinho. Uma pena que hoje em dia muito pouco se vê de seu trabalho. Mas na internet a gente fuçando acha coisa muito bacana e compartilho um link sobre seu álbum Avenida Paulista, que ainda não adquiri mas está na minha lista de compras até o final do ano.

* * * *

A revista Circo procurou em cada número explorar uma temática: neste número 1 encontramos o tema urbano, as cidades e suas paisagens de concreto. A segunda página conta com um detalhe de um quadrinho, mas sem referência sobre o autor, e a primeira história da revista por Luiz Gê funciona como um editorial da proposta da revista:

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Um detalhe da arte do Luiz Gê: “Ah, que interessante! É sempre animado assim?

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Na página 7 finalmente encontramos o índice da edição:

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Um detalhe dos créditos da revista e da data de sua publicação:

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Agora é a vez do Laerte com os seus Piratas do Tietê. Entre cada história encontramos um detalhe de uma paisagem urbana.

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E um detalhe da arte do Laerte:

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Agora vem uma atração internacional: Torpedo 1936 com “Tempos Difíceis” por Abuli e Bernet. Este personagem surge pela Circo, mas depois reaparece na revista Animal e tem alguns de seus álbuns publicados pela L&PM editores.

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Um detalhe de Torpedo:

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Agora vem o Geraldão pelo Glauco.

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Um detalhe hilário da arte do Glauco:

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Agora tem a participação de outro autor nacional: Alcy.

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Na página central um poster com a continuação da história do Alcy:

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Depois uma história meio regular de dois artistas europeus: Dionnet e Margerin, com “O homem do telefone”.

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Mais um detalhe deste quadrinho europeu:

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Em seguida mais uma história escrita e desenhada em duas mãos, que dava uma ideia do que estava por vir no futuro por Laerte e Glauco.

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Outro detalhe desta genial história:

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Quase fechando a revista o melhor da edição: Luiz Gê com “FUTBOIL”.

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Mas o que quer dizer “FUTBOIL”? Luiz Gê responde:

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Uma mostra dos livros publicados pela Circo Editorial com um anúncio de página inteira, com número de páginas, preços (na época era o cruzeiro!) e formato.

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E fechando a revista outra atração de peso: Liberatore desenhando uma história do Smith, mostrando a beleza de uma boa arte em preto e branco.

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Mais um detalhe da arte de Liberatore, mostrando a boa arte-final do desenho com pincel de nanquim.

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Na penúltima página surge um personagem da revista convidando a todos a aguardarem a segunda edição.

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Na última capa mais um anúncio para a Chiclete com Banana:

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Revista Piratas do Tietê no. 1 – Humor, quadrinhos e afins do Laerte

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Nos anos de 1990 o Brasil vivia um momento especial no mercado de quadrinhos. Durante décadas o mercado nacional vivia na mesmice do quadrinho de super-herói e afins, enquanto algumas poucas revistas com material underground circulava escondido por aí. Mas eis que de repente, através de alguns poucos corajosos um novo quadrinho independente foi aparecendo nas bancas, para todos terem acesso mesmo que isso ainda não significasse elevadas vendagens.

E até mesmo nos grandes jornais de circulação como o Estado de São Paulo e a Folha de São Paulo abriam páginas inteiras para divulgar e comentar sobre as novas publicações que estavam surgindo nas bancas. Neste período eu mesmo cheguei a colecionar recortes inteiros de jornal destas matérias, que traziam informações sobre novos autores e das publicações que surgiam nas bancas.

Neste cenário o Laerte surge já como uma figura reconhecida no meio, já que vinha despontando com o seu talento desde a década de 70 através da Balão, surgida dentro da USP, e principalmente pelas tiras publicadas diariamente na Folha de São Paulo, juntamente com Angeli e Glauco. Gostava tanto destas tiras que também cheguei a montar uma pasta inteira com recortes delas.

Mas o Laerte sempre me chamou a atenção pelo tipo de quadrinho que fazia: era engraçado, gracioso e completo. Mesmo comparado com seus pares sempre havia um ponto em seus quadrinhos que era superior, seja na diagramação, nos diálogos, na perspectiva de seus desenhos e nos personagens construídos de forma inspirada.

Laerte criou nesta década de 80 e 90 os muitos personagens, mas com certeza os melhores que se destacam e se identificam com ele estão os Piratas do Tietê. Os personagens surgiram na revista Chiclete com Banana, passearam pela revista Circo, e finalmente ganharam sua versão solo, a Piratas do Tietê, em mais ou menos na metade do ano de 1990.

Como toda publicação alternativa que se preze, era preciso fazer a diferença na banca, e a saída foi o formato. Enquanto o custo de impressão a cores ou papel especial continuava caríssimo, a aposta foi uma publicação com formato incomum com 25,5 cm de largura por 17 cm de altura e uma capa a duas cores (preto e vermelho apenas) e miolo em papel jornal. Este formato sobreviveu por 6 números, até que adotaram um formato mais convencional e uma capa colorida. Mais sobre as edições você pode conferir neste link.

Mas então vamos ao que interessa nesta primeira edição da Piratas do Tietê. Após o impacto da capa e da brincadeira com o logo da Coca-Cola, encontramos uma ilustração do Laerte na segunda capa:

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Na página 3 encontramos o editorial: nada de formalismos, nada de explicações muito óbvias, nem a defesa de nenhuma bandeira. Apenas o niilismo dos Piratas:

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Um detalhe dos créditos da revista com seus colaboradores e idealizadores:

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E agora acompanhem toda a primeira história da revista contando a origem dos Piratas. Resolvi publicar toda ela porque ela é excelente e mostra toda a genialidade do Laerte.

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Em outro post quero colocar o restante da revista Piratas do Tietê. Mas até aqui dá para entender o porque que os personagens dos Piratas conquistaram muitos fãs, principalmente pela mensagem libertária que eles passam.

E terminamos com a contra capa da revista, que é um anúncio da Chiclete com Banana:

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