Autógrafo de Kleist

Um desenho e autógrafo de Reinhard Kleist após sua palestra na Bienal do Livro aqui no Rio: um cara muito simpático e atencioso, como todo bom desenhista.

Link de origem

Bienal do Livro do Rio de Janeiro: Reinhard Kleist e o quadrinho alemão

Em 31 de agosto aproveitei o tempo para visitar a Bienal do Livro, aqui no Rio de Janeiro, e minha intenção era conferir alguns lançamentos em quadrinhos, fazer umas compras e descobrir coisas novas. Pensei que aproveitaria o tempo o máximo que fosse possível, mas o transito na cidade do Rio, as obras nas vias publicas para chegar até o Rio Centro, a fila enorme para entrar na Bienal, acabou me tirando todo o tempo que achei que dispunha.

Havia tanta gente naquela Bienal que não consegui aproveitar quase nada, mas passando pela exposição dedicada a Alemanha havia um espaço reservado ao quadrinho alemão. Além de alguns álbuns expostos, o destaque foi a presença de Reinhard Kleist, autor alemão conhecido por algumas obras já traduzidas para o Brasil e que nesta Bienal, através da Editora 8inverso, está lançando sua obra O boxeador. Sobre o autor e suas obras eu aconselho visitar este link que está muito completo e explica melhor sobre sua arte.

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A oficina de quadrinhos que Kleist ministrou antes da palestra.

Consegui participar da palestra de Kleist, onde ele apresentou a cena alemã de quadrinhos e mostrou alguns quadrinistas e suas obras, comentando detalhes de cada arte, as características e o tipo de quadrinho encontrado. Kleist na verdade representa essa nova cena alemã, que nos últimos anos vem se destacando com inovadores trabalhos e merecendo atenção até mesmo no concorrido mercado francês de quadrinhos, tornando-se destaque na própria mídia tradicional alemã e o natural reconhecimento da graphic novelcomo literatura e arte respeitada na própria Alemanha.

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Kleist comparou também uma diferença que caracteriza o quadrinho alemão em comparação, por exemplo, com a Itália. Enquanto o quadrinho italiano privilegia mais a parte artística, influência até pela arte tradicional italiana e pela escola de design, o alemão privilegia mais a história e as cenas biográficas. Uma tendência notada pelas sua próprias obras, como Cash – I See a Darkness (2006) – sobre Johnny Cash, Elvis – Die illustrierte Biographie(2007), Castro (2010) e Der Boxer (2011), todas elas baseadas em personalidades históricas e que destacam bem o mérito de serem romances gráficos.

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Kleist explica sua arte através de uma expressão: “os quadrinhos são uma verdade sentida”. Ele procura transmitir não só a parte visual, mas fazer sentir pelos desenhos toda a cena descrita, de se fazer sentir o dia a dia da vida das pessoas.

Outra informação bacana é o tempo necessário que Kleist leva para se produzir uma graphic novel: cerca de um ano e meio, entre o roteiro, as pesquisas, a arte e o produto final. Logicamente ele não fica só fazendo quadrinhos, existem outros trabalhos que ele vai alternando, mas mesmo assim ele se considera um autor rápido.

No final achei o cara muito simpático e solicito, feliz por estar mostrando sua obra aqui no Brasil, e uma pena eu não conseguir escrever mais sobre sua palestra, que foi muito legal e ampliou bastante minha visão sobre os quadrinhos de uma forma em geral.

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Fanzine Psiu

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No começo da minha jornada pelo fantástico mundo dos fanzines, no final dos anos 1980, o único meio de contato era por carta. Havia uma agencia dos correios perto de casa e até virei um “conhecido” do funcionário que me atendia, quando enviava cartas pelo Brasil afora em contato com os fanzineiros.

Um fanzine em especial que era frequentemente elogiado nas publicações que lia era do Edgard Guimarães, que editava o Psiu. Edgard era natural de Minas Gerais, havia editado somente dois números do seu fanzine quando adquiri com ele meus exemplares, e estava para lançar uma edição especial só de quadrinhos com uma temática única.

Seu projeto era muito ambicioso e original: lançar uma edição de quadrinhos cujo tema seria Deus, abrangendo a maior colaboração possível de artistas amadores e com estilos diferentes.

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Como não poderia deixar de participar, logo tratei de escrever uma história em quadrinhos, pois também pretendia ser desenhista nesta época. Nos meusfanzines ainda arriscava uns rabiscos.

Fiz então minha história cujo personagem principal era Deus, ainda muito influenciado pelo traço do Angeli, que gostava muito, e acabei realizando a mais longa história que já havia feito, com 11 páginas desenhadas e arte-finalizadas a nanquim.

Quando ficou pronto o Edgard muito gentilmente enviou uma cópia impressa do álbum para mim e para todos os artistas que participaram. Acabei recebendo minha cópia, mas como os custos de impressão eram proibitivos nestes tempos, veio sem capa e com as folhas simplesmente coladas. Como também não tinha grana para mandar encadernar, até hoje mantenho a cópia no “original”, agora já com as folhas um pouco amareladas, dando um charmevintage para o fanzine.

As histórias em quadrinhos presentes neste fanzine dão um apanhado geral da vitalidade dos artistas amadores que haviam no Brasil naquele momento. gerando mais de 260 páginas neste álbum em quadrinhos.

Mais para a frente pretendo escrever um post com mais detalhes sobre a edição e publicar mais fotos. Também espero entrar em contato com Edgard e quem sabe escrever mais sobre o assunto futuramente.

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Na página 2 os nomes dos colaboradores.

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Em detalhe no centro o meu nome como colaborador. Mas escrito errado no sobrenome…

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Em detalhe o nome do editor, a tiragem e a data de impressão do fanzine.

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A primeira página da minha história. No alto da página um versículo da bíblia e a imagem de Deus que fiz…

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Mais uma visão geral da história.

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Um detalhe legal: no alto de cada página uma frase com a temática de Deus escrita por todo o fanzine.

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Por último o índice dos autores e suas respectivas histórias.

Kindle Comic Creator: um passo a passo para leitura de seus quadrinhos no Kindle

Em Abril de 2013 a Amazon lançou um software especial para transformar quadrinhos em versões digitais para leitura no Kindle, chamado de Kindle Comic Creator, possibilitando que autores independentes vendam suas histórias direto na loja da Amazon, assim como permitiu que se vendam livros também, através do Kindle Direct Publishing.

O Kindle Comic Creator trabalha com vários tipos de formatos de arquivos, mas o mais legal para mim é poder transportar sua coleção de quadrinhos para o Kindle.

O bom do Kindle é a sua tela de e-ink, seu formato leve e um software que roda tranquilo na leitura do dia a dia. Em comparação com outros readers o modelo do Kindle tem um design muito bem resolvido e mesmo o modelo mais antigo – que é o meu caso um Kindle Keyboard wifi 3a. geração – permite boa ergonomia e uma ótima leitura ao segura-lo.

Comparando com a leitura de uma historia em quadrinhos em um Ipad, o peso leve do Kindle ao segurar em mãos não tem igual. O Kindle cansa bem menos e se for pensar melhor, até segurar um livro de 300 páginas ou mais com o passar do tempo fica cansativo.

O legal do KIndle Comic Creator é que a leitura da HQ pode ser lida quadro a quadro, e pelo que eu sei em nenhum outro programa permite esse tipo de leitura, seja no iOS ou no Android. Voce também pode baixar o Kindle Previewer no computador para saber como ficou antes de transferir para seu Kindle.

O lado negativo é que dependendo do arquivo e do tipo de desenho de sua HQ, a tela do e-ink atrapalha bastante. Sua resolução não é das melhores para uma imagem com muitos detalhes, e experimentando vários tipos de arquivos, percebi que aquelas HQ mais antigas com cores chapadas e publicadas no antigo formatinho da ed. Abril, como Superaventuras Marvel ou Herói da TV, se adaptam melhor.

Agora segue um passo a passo de como criar um arquivo de HQ para leitura no Kindle.

Depois de instalar o programa, abra o programa e voce encontrará duas opções: abrir um arquivo existente ou criar um novo livro.

Criar um novo livro

Criar um novo livro

Escolhemos criar um novo livro: agora você define a língua de origem e alguns dados como a ordem de leitura, o formato de orientação e se voce deseja inserir o Panel View, que é a forma de se lar quadro a quadro uma HQ.

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Em seguida temos a opção de inserir os metadados, ou seja, o nome da revista, os autores, a editora e definir a imagem da capa, localizando o seu arquivo de origem no computador. Além disso você poderá definir onde ficará gravado os arquivos com a revista para então ser transferido manualmente para o seu Kindle.

Tudo terminado, depois de clicar em Continue, surgirá esta janela onde então deverá escolher os arquivos de seus quadrinhos que serão convertidos. Note que o programa identifica vários tipos de formato tais como “.png, .jpg, .jpeg, .pdf, .tif, .tiff, .ppm”.

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Depois da importação, surge a opção de criar o Panel View:

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O programa possibilita várias opções de visualização: no centro você encontrará a página com o arquivo simulando a leitura em um Kindle. À esquerda você encontra todas as páginas no geral. Em cima se tem uma noção das várias ferramentas disponíveis que o programa oferece na edição da revista.

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O Panel View funciona automaticamente em todo o arquivo de imagem. Notem que quanto mais simples a diagramação da HQ melhor ele analisa o quadro a quadro. Se for uma história com uma diagramação complexa, o programa terá mais trabalho para imaginar como ficará melhor a ordem de leitura da HQ.

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Em cada quadro detectado o programa irá nomear com um # em seguida de um número para a ordem  de leitura no seu Kindle. Mas percebam que muitas vezes a detecção automática não será perfeita, e então manualmente você terá que refazer os quadros, acertando com o mouse a diagramação correta. Clicando com o botão direito do mouse, você poderá também criar um novo painel, ou então detectar os quadros de toda a página novamente.

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Após todo o processo de definição do Panel View, você vai clicar em “Build” e então o programa irá produzir os arquivos de leitura no Kindle.

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Essa etapa dura alguns segundos, e percebam que são gerados alguns arquivos, que então devem ser transferidos manualmente conectando o Kindle ao seu computador. E no local de origem você encontrará o arquivo todo com os dados para possibilitarem a leitura no Kindle, como é o caso abaixo:

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Quando é terminado de produzir  a conversão, o programa automaticamente abrirá o Kindle Paperwhite Previewer para mostrar uma idéia do gibi, mas ele não permite a leitura quadro a quadro com o Panel View, que só funciona nos dispositivos Kindle.

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Assim ficará a sua leitura no Kindle:

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E depois é só diversão!